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Executiva do Burj Al Arab fala sobre o interesse da Jumeirah no Brasil

 Imprimir Arabesq | 26/02/2010 A | A
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Tammam Daaboul

Elegante, inteligente, jovem e sempre sorridente, a Executiva de Desenvolvimento e Marketing do Burj Al-Arab, Marie Laure Akdag, é a face por trás do hotel de cinco estrelas mais luxuoso do mundo, construído sobre uma ilha artificial em Dubai nos Emirados Árabes Unidos.

Em sua terceira viagem de negócios ao Brasil, Marie, concedeu uma entrevista exclusiva ao Portal Arabesq para falar do Burj Al-Arab e os planos do grupo Jumeirah nas Américas.

- Qual é a filosofia do grupo para os serviços de Hotéis e Resorts?

Burj Al Arab

Marie: A nossa filosofia é focada em serviços de luxo, todos os nossos hotéis são de cinco estrelas, nos preocupamos com atitudes e serviços de qualidades. A companhia está centrada em duas coisas, a marca e os princípios-guia, é o que temos alcançado em nossos hotéis para nos identificarmos como Jumeirah. Tratamos sempre uns aos outros com respeito e nunca respondemos “Não” ao cliente.

- Especulações e previsões negativas são feitas sobre o futuro de Dubai após a crise econômica, este é o fim de Dubai? Qual é a realidade? Quanto o grupo e Burj Al-Arab foram afetados?

Burj Al Arab

Localização: Dubai, EAU

Arquiteto: Tom Wright da Atkins

Altura: 321m

Área: 111,500 m2

Quartos: 202

Tem 9 mil toneladas de aço, 43 mil m2 de vidro, 13 mil m2 de marmore Carrara, 12 mil m2 de granito e 1500 m2 de ouro 24 quilates.

Marie: Se este fosse o fim de Dubai nós não estaríamos promovendo em São Paulo. Eu não sou a melhor pessoa para falar sobre economia, pois não é a minha especialidade. Penso que Dubai é um destino fantástico, existem previsões negativas na imprensa pois o emirado cresceu muito nos últimos 10 anos e todo mundo quer escrever a respeito quando enfrenta dificuldades. Foi um ano difícil para todos, no mundo inteiro. É verdade que sofremos como todos, mas não sofremos mais.

O ocorrido foi bom em certo modo pois permitiu ajustes necessários em Dubai. O ano passado foi bom para os nossos negócios, vimos uma queda na taxa de ocupação, um pouco mais no meu hotel, Burj Al-Arab, pois temos clientes especiais que decidiram não viajar no ano passado por causa do sentimento de culpa. Já a classe média, que normalmente passa uma noite apenas no hotel, foi cautelosa e decidiu adiar a viagem para este ano. Apesar disso os hotéis tiveram altos índices de ocupação, em fevereiro registramos grande crescimento e conseguimos manter os mesmos preços no Burj Al-Arab, aproximadamente R$ 4000. A filosofia por trás disso é que não podíamos comprometer os nossos serviços. Fizemos alguns cortes, como todo mundo, mas sem comprometer a experiência dos clientes. Não há um fim apocalíptico, estamos todos otimistas. Eu pessoalmente não vi a crise em Dubai da mesma forma que sentiram em Nova Iorque ou Londres.

- Como avalia o Brasil para investimentos em hotelaria de luxo?

AtriumMarie: Eu não estou aqui pelo grupo Jumeirah, mas sim para promover o Burj Al Arab, por tanto é difícil falar nisso. Estamos muito focados em desenvolvimento, queremos ter ao menos 13 hotéis em funcionamento até 2012, estamos avaliando mais de 120 novos projetos em todo o mundo neste exato momento e a América é uma área que estamos olhando com atenção.

Este ano anunciamos o resort Culu Culu em Buenos Aires, Los Faros no Panamá, e Botany Bay nas ilhas virgens dos Estados Unidos. Temos 25 colegas brasileiros trabalhando para a Jumeirah e queremos expandir isso. Para nós esta é uma região muito importante.

- Então não há um projeto conhecido para o Brasil?

Marie: Nada foi anunciado ainda.

- Qual é a sua visão pessoal?

Marie: Jumeirah está procurando ter ótimos hotéis em bons lugares. Por tanto não vejo porque não teriam um hotel no Brasil que é muito bonito.

- Burj Al Arab estimula a imaginação e a fantasia das pessoas. No ano passado tivemos uma novela no Brasil que falou sobre Dubai e fez com que muitos brasileiros sonhassem em visitar o emirado e Burj Al Arab. Quanto custa para uma pessoa realizar este sonho?

Marie: A hospedagem mais barata no Burj Al Arab é de 10.000 Dirhams, aproximadamente 2800 dólares.

No verão, quando a temperatura chega a 50 oC, os preços baixam em até 40% para 1200 dólares, esses preços têm sido muito populares. Há pessoas que se hospedam sem preocupação pois podem pagar e outras que querem passar ao menos uma noite no Hotel por ser uma experiência única. Com isso o Hotel fica muito ocupado até no verão. Nessa época os nossos clientes podem também aproveitar ótimos serviços, nós até gelamos a água das nossas piscinas para refrescar apesar das altas temperaturas.

Pra você ter uma idéia, o hotel continua impecável porque fazemos uma manutenção preventiva. Durante três meses no verão reformamos todos os andares, mudamos o carpete, o papel de parede, a mobília e outras coisas. Fazíamos isso no verão pois era a baixa temporada, mas, há dois anos, temos mais de 86% de ocupação na baixa temporada, o que dificultou muito a manutenção anual.

- Qual é a coisa mais incrível que os hóspedes observam?

Marie: As pessoas. Surpreendentemente são os mordomos. Temos 1600 funcionários, os nossos clientes fazem questão de escrever os nomes daqueles com os quais interagiram nos seus comentários sobre a estadia. É algo que parece tocar eles e é um fator que faz com que voltem ao Hotel. É claro que todo mundo fica maravilhado com a beleza e a vista, ouvimos os “Uaus” e “Hahs” quando vêem as suítes luxuosas, o ouro e o mármore, mas curiosamente isso não é o que mais as pessoas irão lembrar. Os nossos mordomos surpreendem sempre as crianças com balões e doces, tentam fazer o possível para realizar as vontades dos nossos clientes e recordam as suas preferências para futuras estadias. Temos uma taxa de satisfação acima de 85%. Mas isso não é motivo para descansarmos pois estamos sempre em busca dos 100% de satisfação nos nossos serviços.

- Há o cuidado de inserir a cultura árabe em componentes de hotéis e resorts?

Marie: Burj Al-Arab foi construído para ser o ícone de Dubai e um símbolo do estilo de vida árabe. A decoração, os quartos e os tecidos lembram o estilo árabe. Alguns dos nossos funcionários se vestem com roupas típicas, trazendo grande diversidade e fazendo você se sentir no Oriente Médio. Recebemos as pessoas com tâmaras, água de rosas, café árabe e toalhas geladas, do mesmo modo que você seria recebido em uma casa árabe tradicional.

Então sim, isso é encontrado nos nossos hotéis em Dubai, principalmente a hospitalidade e generosidade árabe. Mas Jumeirah tenta sempre manter um pouco da cultura local. Não queremos abrir um hotel em Xangai, por exemplo, sem que tenha um aspecto de Xangai, não vamos impor o estilo de Dubai em todo lugar, mas tentamos transmitir a generosidade e a ternura da cultura árabe.

- Burj Al Arab tem sido o símbolo de Dubai desde a sua inauguração, será que o Burj Khalifa pode roubar essa posição?

Marie: Talvez como um ícone, mas Burj Khalifa não é um hotel, é um complexo residencial que tem escritórios e um hotel. É um prédio fantástico, o mais alto do mundo, espero que ainda seja, porque tenho certeza que outro prédio mais alto pode estar sendo planejado. É fabuloso e ajuda Dubai a se destacar no mapa. Isso não é uma competição, quanto mais símbolos como esse abrirem em Dubai, o emirado vai se destacar como um destino, mas acredito que Burj Al Arab tem algo mais, é único, o topo dos serviços de luxo, não sofre competição de qualquer hotel que tenha surgido. Não há nada equivalente a ele no mundo.

- Qual serviço ou detalhe você mais gosta no Burj al Arab?

Marie: É difícil dizer, sou muito apaixonada por tudo nele. É muito diferente. Tem arquitetura e cores incríveis. Mas novamente vou destacar as pessoas, o carinho e o cuidado dos nossos funcionários. Sempre recrutamos funcionários de acordo com atitudes e não habilidades. Pois podemos treinar habilidade mas é difícil desenvolver atitudes. Então é o serviço, a mentalidade, a gentileza, a amizade e o sorriso. Isso fica na memória.

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COMENTÁRIOS
 
Zainab H. 3/9/2010 7:15:08 PM
Palavras da senhora Marie Laure Akdag, "Sempre recrutamos funcionários de acordo com atitudes e não habilidades. Pois podemos treinar habilidade mas é difícil desenvolver atitudes. Então é o serviço, a mentalidade, a gentileza, a amizade e o sorriso. Isso fica na memória". Ai esta o sucesso do hotel, antes do luxo e da beleza. O ser humano!! Zainab H.

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