O Massacre continua e número de mortos sobe acima dos 360 em Gaza

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A resistência palestina respondeu lançando mais foguetes de produção caseira para regiões mais profundas do território israelense

Depois de três dias de bombardeios aéreos, Israel realizou uma série de ataques na madrugada de hoje, o mais forte foi dirigido ao complexo dos ministérios, aumentando o saldo das centenas de mortes e produzindo um cenário de destruição na Faixa de Gaza. Autoridades de saúde palestinas contabilizavam 364 mortes, das quais 62 civis. O número de feridos passa de 1.700, de acordo com chefe dos serviços de emergência em Gaza, Moawiya Abu Hassanein.

Nos ataques desta segunda, Israel disse ter focado os bombardeios em casas de militantes e outros alvos do Hamas, em uma campanha designada, aparentemente, para exterminar o grupo palestino. O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, prometeu que será uma “guerra até o fim" contra o Hamas e militantes aliados do grupo.

A resistência palestina respondeu lançando mais foguetes de produção caseira para regiões mais profundas do território israelense, transmitindo a mensagem de que a estratégia militar israelense não seria eficaz para acabar com o lançamento de foguetes. O número de israelenses mortos por palestinos aumentou para quatro desde sábado.

Ampliando seus alvos para incluir entre eles o governo do Hamas na Faixa de Gaza, caças israelenses bombardearam o Ministério do Interior, que supervisiona os 13 mil membros das forças de segurança do grupo. O prédio foi esvaziado e não houve vítimas.

Israel também atacou as casas de pelo menos dois comandantes de primeiro escalão do braço armado do Hamas. Os comandantes não estavam em casa no momento dos ataques, mas vários membros de suas famílias foram mortos, entre eles três crianças. Outras cinco crianças palestinas morreram junto à mãe em outro ataque na madrugada de ontem.

Hamas informou que os ataques israelenses ocasionaram 180 mortes de militantes do movimento, e que as outras mortes, 190, são de civis palestinos entre eles 16 mulheres e dezenas de crianças.

Militares israelenses comentaram na mídia que as forças armadas estavam reforçando suas atividades em solo perto de Gaza para uma possível incursão por terra.

O Hamas, um movimento de resistência que luta pela libertação dos territórios palestinos, desafiou os ataques israelenses, os mais intensos desde a Guerra de 1967.

Israel alega que o objetivo da incursão é o de proteger os cidadãos israelenses dos “mortíferos foguetes do Hamas” e a mudança dos pesos políticos e militares da região, mas as autoridades israelenses se negam a responder quais seriam os detalhes das condições e dos resultados desejados para colocar fim aos ataques.

Israel declarou áreas ao redor da Faixa de Gaza como "zona militar fechada", citando o risco de ataques com foguetes palestinos e ordenando a retirada de jornalistas que observavam a escalada de Forças Armadas se preparando para uma possível invasão terrestre do território.

"Você tem de ir", disse um porta-voz do Exército a uma correspondente da Reuters depois de ela exigir uma diretiva policial militar para sair.

Há mais de 2 meses os jornalistas são impedidos por Israel de entrarem na faixa de Gaza.

A retirada da imprensa pode ajudar Israel a manter sigilo sobre os preparativos para uma incursão terrestre em Gaza e esconder possíveis imagens chocantes que comprovariam crimes de guerra após três dias de ataques aéreos que provocaram o caos, deixando alguns prédios em ruínas e hospitais em precárias condições de atendimento, impedindo o funcionamento inclusive de instituições e organizações internacionais de ajuda humanitária.

No que chamaram de ataque "terrorista", militares israelenses disseram que um palestino esfaqueou três israelenses no assentamento judaico de Kiryat Arba, na Cisjordânia, antes de ser atingido por um tiro de um pedestre e depois preso.

Um dos israelenses feridos estava em estado grave.

O porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum pediu no domingo que grupos palestinos usem "todos os meios disponíveis, incluindo operações de martírio" contra Israel.

Uma autoridade israelense negou a sugestão de que Israel agiu agora por ver uma janela de oportunidade com Bush deixando a Presidência dos Estados Unidos e Barack Obama se preparando para entrar na Casa Branca.

Nesta segunda-feira a Alemanha culpou o Hamas pelo surto de violência na Faixa de Gaza, exigindo que o movimento islâmico pare de atirar foguetes para que sejam encerrados os ataques de Israel.

O porta-voz do governo alemão, Thomas Steg, disse em entrevista coletiva que o Hamas deve imediatamente e permanentemente parar de atirar foguetes para que as operações militares israelenses possam acabar rapidamente.

O apoio da Alemanha a Israel, parece ser mais forte do que o de outras nações européias. Os comentários do governo alemão, que raramente critica Israel devido ao legado do holocausto, ecoaram a postura dos Estados Unidos.

com agências internacionais