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A “sola de despedida” um final dramático da era bush

 Imprimir Arabesq+Agências | 15/12/2008 A | A
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Imagens de TVs mostravam Bush falando ao lado do primeiro-ministro do Iraque, Nuri al Maliki, durante uma entrevista coletiva em Bagdá, quando o repórter iraquiano, Montazer al Zaidi (29), da TV Al Bagdadia, se levantou, a cerca de dois metros de distância do americano, e gritou, em árabe: "este é seu beijo de despedida, seu cachorro", lançando um de seus sapatos contra Bush que desvia antes de ser protegido pelo primeiro-ministro iraquiano contra o lançamento do segundo sapato do jornalista.

Em seguida seguranças iraquianos e americanos dominaram o jornalista e o retiraram da sala. Já Bush minimizou o incidente, dizendo que "só podia dizer que era tamanho 10 [41, na medição brasileira]", e continuou respondendo perguntas.

No Iraque, atirar um sapato contra alguém é considerado um grande insulto, pois significa que o alvo é inferior a um sapato, sempre em contato com o chão e a sujeira.

A prova do sapato

Um oficial iraquiano afirmou que o jornalista está preso, sendo investigado por forças de segurança iraquianas e questionado se ele recebeu ajuda financeira para realizar o ato, e passa por exames para verificação de dependência de álcool ou drogas.

O oficial, que pediu anonimato, disse à Associated Press que as autoridades iraquianas recolheram os sapatos para uso como provas no caso.

Reações Internacionais

O site da rede de TV à qual pertence o jornalista preso pelo ataque dá destaque aos pedidos de "vários políticos e intelectuais de destaque" pela libertação de Zaidi.

Segundo a TV, foram enviadas "cartas de protesto e solidariedade" pelo Sindicato dos Jornalistas Iraquianos --que classificou como "autoritário" o tratamento dado ao profissional--; por diversos integrantes da Câmara e do Senado; e por organizações de imprensa egípcias.

A direção do canal de televisão exigiu a libertação do jornalista "de acordo com a democracia e a liberdade de expressão que o novo regime e as autoridades americanas prometeram ao povo iraquiano", e manifestou preocupação com a segurança do mesmo. As autoridades não revelaram para onde o jornalista foi levado.

A “Associação de Sábios Muçulmanos” considerou o ato "patriótico e corajoso", afirmando que "esta postura heróica foi a mais sincera expressão da raiva dos iraquianos e sua absoluta rejeição à ocupação americana liderada por este criminoso (Bush) conta seu país".

Seguindo o ataque surgiu nas ruas de Sadr City, em Bagdá uma manifestação que criticou a ocupação americana com a queima da bandeira dos Estados Unidos. Os manifestantes pediram a imediata libertação de Zaidi.

O movimento do clérigo radical xiita radical Moqtada al-Sadr já o considera seu novo herói.

Um assessor de Muqtada al-Sadr, afirmou estar coordenando uma série de protestos em todo Iraque contra o acordo de segurança assinado pelo governo iraquiano com os Estados Unidos; e em defesa da libertação do jornalista detido.

NY Times

O "NY Times" afirma que, depois de atirar os sapatos, Zaidi foi contido por seguranças, que o derrubaram e, na seqüência, o arrastaram para fora da sala. Uma repórter de uma emissora pertencente ao partido do primeiro-ministro iraquiano disse ao "NY Times" que Zaidi apanhou "até chorar como uma mulher". De acordo com o jornal, jornalistas iraquianos que estavam na primeira fila do evento pediram desculpas ao presidente.

O jornal destaca ainda que os iraquianos jogavam muitos sapatos contra a gigante estátua de Saddam que havia em Bagdá antes de ajudar os militares americanos a derrubá-la, em 2003.

"O incidente com os sapatos em Bagdá marcou a visita de Bush --a quarta-- de uma maneira profundamente simbólica, refletindo as visões conflituosas que há no Iraque sobre o homem que derrubou Saddam Hussein, ordenou a ocupação do país e levou liberdades impensáveis sob o governo de Hussein, porém a custos enormes", avaliou o jornal americano.

"The Guardian"

O site do jornal britânico deu à história o título de "Bem-vindo a Bagdá, presidente". Para o "Guardian", o episódio fez com que as relações entre Bush e o Iraque "terminassem como começaram: com caos e raiva". O diário afirmou que o intuito da visita de Bush era mostrar "o declínio da violência no país".

Al-Jazeera

O site do canal árabe de notícias Al Jazeera coloca a notícia sobre o ataque com sapato em sua reportagem sobre a passagem de Bush pela região. O texto menciona que "o incidente serve de lembrança vívida da ampla oposição à invasão do país coordenada pelos EUA e à subseqüente guerra".

O Crime

Segundo o advogado Tareq Harb, Muntazer pode ser condenado a no mínimo dois anos de prisão se for acusado por insultos a um chefe de Estado estrangeiro em visita ao Iraque.

A pena pode chegar a 15 anos de prisão se for indiciado por tentativa de homicídio contra um chefe de Estado.

Horas depois do incidente, um dos advogados de defesa de Saddam Hussein, Khalil Dulaimi, se ofereceu para defender o jornalista e garantiu que mais de 200 advogados de todo o mundo já ofereceram os serviços de maneira gratuita. "Estou em contato com associações de advogados árabes para formar uma equipe de defesa", disse Khalil.

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Bush desvia para escapar do sapato do jornalista iraquiano Montazer al Zaidi Bush desvia para escapar do sapato do jornalista iraquiano Montazer al Zaidi
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