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Argélia chega a 50 anos de independência cheia de incertezas

 Imprimir AFP | 02/07/2012 A | A
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Os argelinos se preparam para festejar seus 50 anos de independência da França com um gosto amargo de democracia limitada e de um desenvolvimento econômico extremamente dependente dos hidrocarbonetos. O presidente Abdelaziz Bouteflika lançou este ano reformas políticas, após uma série de revoltas sangrentas há um ano e meio e depois de greves realizadas em meio à Primavera Árabe, que sacudiu a Tunísia e a Líbia, dois grandes vizinhos.

A Argélia "não pode se resignar por ter deixado para trás uma época de notável progresso econômico, científico e tecnológico, nem por perder o trem das transformações aceleradas que o mundo atravessa nos domínios da prática democrática, das liberdades individuais e coletivas e dos direitos humanos", havia declarado Bouteflika antes das eleições legislativas de 10 de maio, depois das quais os eleitos deveriam dar continuidade as suas reformas.

Mas 50 anos depois da saída dos franceses ao término de 132 anos de presença, o cenário é sombrio, principalmente entre as pessoas com menos de 35 anos, que representam 70% dos 37 milhões de argelinos. "Os jovens deste país consideram a Argélia um deserto onde nada acontece", disse à AFP, Sa¯d, 32 anos.

Uma juventude sem perspectiva "Os jovens, principalmente na Argélia, pagam a conta da má gestão dos governantes que se sucederam na liderança do país depois de 1962. Hoje, eles sonham apenas em atravessar o Mediterrâneo", afirma Sa¯d.

A taxa de desemprego era superior a 20% em novembro de 2011, segundo o FMI, e a inflação atingiu em abril 6,4% (oficial), tornando cada vez mais difícil a situação financeira da maior parte dos argelinos. "Depois de 50 anos de independência política, a constatação é amarga", considera o especialista em negócios estratégicos Abderrahmane Mebtoul, citando "o envelhecimento das elites políticas oriundas da guerra de libertação nacional, o sistema político obsoleto e as disputas internas pelo poder, a crise econômica, social e cultural e, por fim, as limitações externas cada vez mais pesadas".

Depois da independência festejada no dia 5 de julho, a Argélia registrou o golpe de Estado de 1965 contra o seu primeiro presidente, Ahmed Ben Bella, derrubado por seu ministro da Defesa, Houari Boumediene; depois veio a renúncia forçada do presidente Chadli Bendjedid, cuja política de liberalização daria em 1991 uma vitória certa aos islamitas nas eleições legislativas, que foram anuladas.

Seu sucessor, Mohamed Boudiaf, assassinado há exatamente 20 anos, tinha se comprometido a combater a falta de transparência no poder, sob influência militar, e os islamitas, que tinham se tornado os porta-vozes da rebelião dos argelinos contra seu sistema político. Como resultado desse contexto turbulento, uma guerra civil de mais de dez anos entre forças de ordem e islamitas deixou 200 mil mortos, principalmente civis.

Busca de uma estratégia estruturada "Cinco décadas depois da independência, ainda estamos em busca de uma legitimidade articulada com base em um programa e em uma estratégia estruturada, com um estatuto orgânico definindo as engrenagens do Estado e seu modo de funcionamento e uma direção única e homogênea", ressaltou o ex-primeiro-ministro Ahmed Benbitour em uma crônica publicada pelo jornal Liberté.

Depois de ter entrado em 1962 em período de socialismo sob diversas formas e de ter se tornado uma economia liberal em 1988, antes de mergulhar em sua guerra, a Argélia volta a ter um regime autoritário, mas com uma constante: um Estado dependente da renda do petróleo.

Com reservas estimadas em US$ 205 bilhões no final de 2012, segundo as previsões do FMI, este país retira a sua riqueza apenas dos hidrocarbonetos. Os especialistas, incluindo Metboul, ressaltam que a Argélia "obtém 98% de seus lucros das exportações de hidrocarbonetos em estado bruto e semi-bruto, enquanto que de 70% a 75% das necessidades das famílias e das empresas são importadas".

Mesmo que a agricultura melhore progressivamente e intensos esforços tenham sido anunciados para relançar o setor industrial, responsável por menos de 5% do PIB no ano passado, a estrada ainda é longa para um país ameaçado hoje pela instabilidade de seus vizinhos, dentre eles o Mali.

Quanto as suas relações com a antiga potência colonial, a França, elas se mantiveram irregulares desde a independência, de acordo com os dois países. Se em alguns momentos houve uma aproximação econômica maior com o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, muito é esperado no plano político depois da eleição em maio de François Hollande.

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