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As reformas políticas em Marrocos

 Imprimir Arabesq | 14/05/2012 A | A
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Consciência Jeans

Não obstante uma série de reformas, da aprovação de uma nova Constituição e de um certo, ainda que tímido, entendimento entre as diferentes forcas políticas do país, a verdade é que a monarquia de Marrocos não consegue resolver os verdadeiros problemas do povo que continua a ver adiadas as concretizações dos seus desejos de uma vida melhor.

Segundo alguns analistas, o grande problema de Marrocos – e da sua monarquia – é que continua “refém” de uma série de interesses políticos e económicos que a sustentam e não deixam fluir de forma continua as decisões que emanam de um governo fragilizado pelos escassos poderes que, na verdade, lhe são outorgados.

Depois de ter ascendido ao trono em 1999 o rei Mohammad VI teve a preocupação de iniciar o diálogo com a principal força da oposição, o Movimento 20 de Fevereiro, na altura constituído por jovens estudantes e intelectuais que pretendiam que os poderes monárquicos fossem mais repartidos com os do executivo.

Esse diálogo levou a que, desde o seu início, se levantasse a questão de aprovar uma nova Constituição que pudesse dar resposta a algumas das pretensões da juventude e, ao mesmo tempo, modernizasse a forma da monarquia se inserir no mundo moderno.

Depois de alguns avanços e recuos motivados pelo facto dos que eram jovens em 1999 e, porque não dizê-lo, algo inexperientes começarem a ter do mundo a visão própria de pessoas mais adultas e conhecedoras do que se ia passando noutros países.

Com o advento da chamado “Primavera Árabe” a oposição marroquina forçou a monarquia a acelerar o processo de construção de uma nova Constituição, ameaçando mesmo com algumas manifestações que chegaram a causar serias preocupações neste habitualmente tranquilo país do Norte de Africa.

Como geralmente as pressas são inimigas da perfeição, a verdade é que a nova Lei Magna do país nasceu com algumas lacunas que deixam espaço para interpretações que mais se adeqúem aos diversos interesses em jogo.

Deste modo alguns dos principais pilares da governação continuaram a ficar dependentes do rei, tais como as chefias das forças militares e policiais e a possibilidade de vetar a entrega da chefia do governo ao líder do partido mais votado desde que o soberano invoque os “superiores interesses da nação”.

Desta forma, politicamente, continua a ser de exclusivo domínio real a indicação dos principais pilares que garantam a soberania do país, o respeito pela ordem pública e a própria liderança governativa.

Tudo isto poderia passar minimamente despercebido se a população se sentisse confortada e visse no espelho real a imagem de alguém com capacidade e espaço de manobra para resolver os seus problemas.

Mas a verdade é que a desconfiança com que foram inicialmente recebidos os poderes que continuam nas mãos do rei, cedo se transformaram numa enorme desilusão pelo facto do soberano não se conseguir libertar das amarras impostas por quem o circunda e assim impedem que, ao menos, a população dele tenha a imagem de uma pessoa firme e empenhada na defesa do seu povo.

O se passa é que não obstante o facto de Marrocos ser um país onde a insegurança não se faz sentir, o recente aumento dos preços afastou uma parte significativa dos turistas que serviam para alimentar o erário publico.

Com isso, a taxa de desemprego subiu de forma galopante o que se reflecte de forma directa no nível de vida de grande parte da população que há dias se mostrou boquiaberta com a notícia de que o seleccionador da sua principal selecção de futebol, o belga Eric Gerets auferia um ordenado mensal da ordem dos 300 mil dólares com a agravante de não ter conseguido apurar a sua equipa para qualquer fase final de uma competição internacional.

Neste momento a principal reivindicação da popular não se prende com qualquer tipo de contestação a existência do regime monárquico mas sim com a necessidade dele se tornar mais colaborante com aqueles que foram eleitos para governar e que estão com os seus movimentos tolhidos pela tal teia que rode.

A habitual cooperação que a Franca mantém com Marrocos, devido a crise que afecta toda a Europa, também não se tem mostrado muito activa o que, de certa forma, abre uma lacuna pois as anteriores facilidades em termos de relacionamento e apoio económico se transformaram agora em formas de pressão para a liquidação de antigos débitos.

Com uma população estimada em 32 milhões de pessoas, cerca de cinco milhões dos marroquinos vivem actualmente abaixo da linha de pobreza extrema – tem menos de um dólar por dia para gastar.

Com a necessidade de importar toda a energia de que necessita Marrocos tem, actualmente, um défice quase insustentável dependendo grande parte da sua população de uma agricultura que, nalguns casos, nem chega para alimentar uma família.

Neste momento de extrema dificuldade aquilo que o povo mais quer e que o seu rei desça do torno, de liberte da corte que lhe tolhe os movimentos e se aproxime mais de uma realidade que não augura nada de bom caso nada seja agora feito.

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