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ALÉM DO RACISMO: ISRAEL E SIONISMO

 Imprimir Arabesq | 20/02/2012 A | A
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Dez crianças palestinas, com idades de 4 a 5 anos de idade, foram mortas em um acidente de trânsito perto de Jerusalém, em 16 de fevereiro de 2012.

Outras quarenta criancinhas ficaram feridas, sendo oito em estado grave.

Uma notícia que deveria ser “normal”. Acidentes de trânsito acontecem diariamente no mundo inteiro. Há vítimas fatais nesses acidentes, inclusive crianças.

É verdade que a morte de crianças é sempre mais trágica e mais triste.

Todas as crianças do mundo devem nascer para viver longamente e morrer na idade certa, não morrer prematuramente em acidentes de trânsito, desnutrição e doença e muito menos morrer em guerra.

O mundo acostumou-se a presenciar, às vezes ao vivo, a morte das crianças palestinas, vítimas de ataques israelenses contra suas cidades e suas casas.

Durante o último grande massacre em Gaza em 2008/2009, mais de quatrocentas crianças palestinas foram assassinadas, sob alegação de que eram sacrificadas para a garantia da segurança do Estado judeu.

A maioria dos governos do mundo que se auto-intitula civilizado, se cala  sob a subserviência e temor ao lobby  sionista mandante do  planeta.

A morte de civis palestinos é considerada  efeito colateral aceitável e justificável nesse genocídio que Israel realiza há mais de sessenta anos.

Mas, mesmo quando os palestinos morrem em acidentes “naturais”, há algo mais trágico e mais triste.Certamente não porque os palestinos são diferentes ou são o povo escolhido de Deus, mas porque a situação em que eles vivem é anormal em todos os sentidos.

Na Palestina ocupada, a ocupação israelense transformou a vida dos palestinos em seqüências de tragédias, massacres, uma luta constante pela sobrevivência.

Na Palestina ocupada, não há normalidade, porque a ocupação em si é algo anormal, insano e patológico. Até a morte “natural” dos palestinos é anormal.

O acidente que causou a morte das crianças palestinas no último dia 16 é exemplo disso.
Esse acidente levanta questões que a consciência elástica, racista e seletiva do ocidente e principalmente dos Estados Unidos, tenta ocultar.

Primeiro: mais do que racismo, é uma doença. A morte de crianças deveria causar solidariedade, tristeza e reflexão, independentemente da religião ou nacionalidade das vítimas.  Esta regra tem exceção em  Israel quando as vítimas são palestinas.

Vários sites de notícia em Israel celebraram a tragédia palestina. No site de notícias israelenses WALLA, foram publicados vários comentários racistas de judeus celebrando o ocorrido. Exemplos dos trechos publicados:

BENNY – “Acalmem-se, todos os mortos são crianças palestinas”
TAL – “Graças a Deus, são palestinos. Como seria bom se acontecesse todo dia”.
ALEYAH – “O ônibus de crianças palestinas, vamos rezar para muitos morrerem. Que boa notícia para começar o dia”.

O jornal israelense HAARETZ, no dia seguinte ao acidente, publicou outros comentários, que apareceram no facebook do primeiro ministro israelense. “Deixem que eles morram. Por que devemos ajudar?”; “Pagam dinheiro para eles, porque os árabes se importam mais com dinheiro do que com seus próprios filhos”, “Mande mais caminhões para os territórios ocupados” (era israelense o caminhão que se chocou com o ônibus escolar).

Segundo o jornal israelense, os responsáveis pela página de Netaniahu não retiraram os comentários racistas, muito menos condenaram esses comentários.

Mesmo na página oficial da polícia israelense, mais comentários racistas. Um deles declarou: “São apenas futuros terroristas, Deus tomou suas providências”.

Celebrar a morte de crianças mostra o grau de decadência moral que uma sociedade colonialista pode chegar. Isso ultrapassou o racismo para ser uma doença, que vai além do mínimo aceitável por  qualquer sociedade minimamente civilizada.

Segundo: o acidente mostra a infraestrutura de ocupação e apartheid nos territórios palestinos. Na Palestina, há dois tipos de estrada. O primeiro tipo são estradas de primeiro mundo, modernas, seguras e construídas nas terras confiscadas dos palestinos, e se destinam apenas para uso dos colonos judeus instalados ilegalemente nos territórios palestinos. Os palestinos são proibidos de trafegar nessas estradas.  O segundo tipo são as estradas antigas, não conservadas e perigosas, destinadas aos palestinos, nativos e verdadeiros donos da terra.

A estrada onde aconteceu a tragédia liga Jerusalém a Ramallah. Israel recusou vários pedidos da Autoridade Palestina para melhorar as condições de tráfego no local. Vários postos de controle militar israelense foram construídos nessa estrada a fim de dificultar ainda mais a vida dos palestinos.

As próprias organizações israelenses falam em seiscentos postos de controle militar nas estradas dos palestinos.

Sob a ocupação israelense, a morte chega aos palestinos não apenas com tanques e caças, mas também nas estradas projetadas para matar.

Terceiro: o acidente mostra mais uma vez, as armadilhas do Acordo de Oslo.  Com os acordos de Oslo, a verdadeira intenção de Israel não era chegar à paz com os palestinos, mas meramente um arranjo para continuar a ocupação e  o controle dos palestinos de uma forma menos visível e menos custosa. Uma ocupação de luxo.

Os acordos dividiram os territórios palestinos em três áreas:

Área A – 8% do território e sob controle da Autoridade Nacional Palestina. Essas áreas “independentes”  são cercadas por postos militares e assentamentos judaicos ilegais. São verdadeiros guetos, onde a entrada

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Abdel Latif Hasan Abdel Latif

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