Tropas de Kadafi intensificam ofensiva para tomar Ras Lanuf

Receita de Tropas de Kadafi intensificam ofensiva para tomar Ras Lanuf

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Tropas leais ao líder líbio, Muammar Kadafi, estavam lutando para retomar o controle do porto petrolífero de Ras Lanuf nesta sexta-feira, intensificando a contraofensiva contra os insurgentes, que estão em desvantagem militar. As forças do governo, com uma superioridade aérea e uma grande vantagem nos tanques, parecem ter retomado suas energias no conflito que já dura três semanas. Nesse ritmo, a pressão do governo líbio poderia superar os lentos esforços internacionais para impedir Kadafi.

O som de explosões e armas de pequeno porte foi ouvido de Ras Lanuf nesta sexta-feira, enquanto fumaça emergia da cidade. Forças rebeldes disseram que ainda estavam dentro da área residencial da cidade petrolífera, e combatendo tanques de guerra do governo, além de tropas que chegaram de barco. "Quatro barcos transportando 40 e 50 homens cada chegaram aqui. Estamos combatendo eles agora", disse um porta-voz rebelde Mohammed al-Mughrabi, sem dizer exatamente onde ele estava localizado.

O combatente rebelde Ibrahim al-Alwani disse que ele e seus colegas ainda estavam em Ras Lanuf e tinham visto tropas do governo no centro da cidade. "Eu vi talvez 150 homens em três tanques", disse. "Eu posso ouvir os confrontos." Os insurgentes estavam indignados com a falta de ação internacional. "Onde está o Ocidente? Como estão ajudando? O que estão fazendo?" gritava um combatente enfurecido.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país há quase um mês para pedir a renúncia do líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Entretanto, se tunisianos e egípcios fizeram história através de embates com as forças oficiais e, principalmente, protestos pacíficos por democracia, a situação da Líbia já toma contornos bem distintos.

Diferentemente da queda de Hosni Mubarak, cujo símbolo foi a aglomeração sistemática de centenas de milhares de manifestantes no centro do Cairo, a contestação de Kadafi tem levado a Líbia a uma situação próxima de uma guerra civil. Após a realização de protestos em grandes cidade, como Trípoli e Benghazi, o litoral mediterrânico da Líbia virou cenário de uma batalha diária entre as forças do coronel e a resistência rebelde pelo controle das cidades, como Sirte - cidade natal de Kadafi - e a petrolífera Ras Lanuf.

Não há números oficiais, mas estima-se que mais de mil pessoas já tenham morrido desde meados de fevereiro. A onda de violência, por sua vez, gerou um êxodo de mais de pelo menos 100 mil pessoas, muitas das quais fogem pelas fronteiras egípcia e tunisiana. Esses números, aliados à brutalidade dos confrontos - como, por exemplo, o bombardeio a cidades rebeldes - vêm mobilizando lideranças da comunidade internacional, que cogitam a instauração de uma zona de exclusão aérea na Líbia, mas ainda não acenam para uma intervenção no país.