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Egito - A Oposição

 Imprimir Arabesq | 04/02/2011 A | A
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Consciência Jeans

Lejeune Mirhan*

Como tem dito a grande imprensa, parece que a revolução egípcia não tem rosto, não têm líderes, os partidos quase não aparecem. Quero comentar aqui alguns deles:

•    Associação Nacional pela Mudança – é liderada pelo ex-presidente da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohammed El Baradei, Prêmio Nobel da Paz. Baradei, um técnico de prestígio internacional e de carreira na ONU, passou quase 15 anos fora do país. Ninguém atinge um posto desse sem ter sido de confiança quase que absoluta dos EUA. No entanto, nos últimos dois anos de seu segundo mandato à frente da AIEA, Baradei desalinhou dos EUA quanto ao programa nuclear do Irã. Cumpriu um papel positivo, no sentido de afirmar ao mundo que os técnicos da agência não atestavam o programa iraniano com objetivos de fabricar a bomba. É claro, ele é um político moderado, independente. Mas, já esta tentando se cacifar pelo menos neste momento de transição e recebeu autorização de cinco partidos para tentar formar um gabinete de transição; pode emplacar ou não;
•    Partido Al Ghad – de linha republicana, liderado por Ayman Nour, que disputou com Mubarak a presidência em 2005, sendo esmagado pela fraude eleitoral; de linha centrista;
•    Partido Wafd – sob a liderança de Al Sayed Al Badawi, de linha liberal e moderada;
•    Movimento “6 de Abril” – uma organização juvenil, de centro-esquerda;
•    Kefaya – movimento laico, integrado por sindicalistas e intelectuais de classe média;
•    Irmandade Muçulmana – disputam apenas o parlamento e nunca passam de 20% dos votos. Seu atual líder é Mohammad Badias. A Irmandade tem estado discreta nas manifestações, mas sabemos que participa ativamente. O Ocidente quer mostrar que é um pavor a tomada do poder pelos muçulmanos, mas isso apenas como forma de jogar terrorismo e preconceito na cabeça das pessoas. Ate porque esse agrupamento não propõe – assim como o Hamas na Palestina e o Hezbolláh no Líbano, nunca propuseram um estado islâmico (o Hamas na sua fundação propunha, mas mudou de posição). Essa Irmandade egípcia, que inspirou todas as outras nos países árabes, é na verdade uma organização moderada na política. Não falam em ruptura com o modelo capitalista e defendem a propriedade privada. É conservadora também do ponto de vista da moral e dos costumes. Presta mais serviços sociais de apoio à população pobre com baixa atuação na classe média de alta escolaridade e com intelectuais;
•    Partido Comunista Egípcio – fundado em 1922, fará, tal qual o PCdoB, 89 anos. Atua na mais absoluta clandestinidade, tem influência em setores sindicais e estudantis. Possui muitos de seus quadros dirigentes encarcerados, mas atua na linha de frente das amplas manifestações deste janeiro.

Pelo fato da Irmandade ser o agrupamento mais importante na política egípcia, vale a pena saber quais seriam as suas propostas neste momento. Defendem a nomeação de um 1º Ministro interino e que uma comissão de juízes faça uma imediata revisão da constituição e que eleições livres e gerais sejam convocadas para o parlamento e para a presidência. Poderia aceitar o moderado do Baradei na linha de frente desse governo provisório de união nacional.

Mubarak ainda não deu sinais, apesar da pressão popular, da opinião pública e mesmo das pressões norte-americana para uma transição mais abreviada, ainda que controlada, de que vai deixar o poder. Para isso nomeou um vice-presidente. Não poderia ter sido pior, pois indicou um tenente-coronel do exército, vinculado ao setor de espionagem e informações, um homem avesso à democracia e ao processo de transição, conhecido torturador. Parece-nos que isso seria uma decisão parecida com a que tomou o Xá do Irã, Reza Pahlevi em 1978, um ano antes de sua queda e fuga para o mesmo Egito atual, quando indicou um 1º Ministro chamado Shapour Baktiar. Mas, tal manobra não surtiu efeito, pois a partir de março de 1979, uma insurreição popular, dirigida pelos setores mais progressista da sociedade iraniana, derrubou o governo despótico do Xá.

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Lejeune Mirhan
Sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa e da International Sociological Association e colunista da Revista Sociologia da Editora Escala.

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