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Egito - Problemas Para Israel

 Imprimir Arabesq | 04/02/2011 A | A
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Lejeune Mirhan*

Também sobre isso não tenho a menor dúvida. Quem mais perde neste momento, nesta situação pré-revolucionária ou até mesmo revolucionária, a depender do andamento do processo, é Israel e seu governo reacionário de Benjamin Netanyahu. E essa opinião minha coincide com diversos analistas, em especial M. K. Bradakumar, do Asia Times. E ganha a República islâmica do Irã.

Mubarak é o principal parceiro de Israel. O Egito foi o primeiro país que assinou a paz em separado com Israel, seguido pela Jordânia. Nenhum outro assinou. Tecnicamente, Israel esta em guerra com a Síria e o Líbano, pois confiscou terras desses países (respectivamente as colinas de Golã e as fazendas chamadas de Shebaa). Entre os dias 27 de dezembro de 2008 e 22 de janeiro de 2009, Israel bombardeou sem pena nem dó a Faixa de Gaza. Matou a sangue frio 1,5 mil palestinos, dos quais dois terços crianças, mulheres e velhos, sob o pretexto de atacar o grupo Hamas, legitimo representante do povo palestino. Que fez Mubarak? Ao invés de abrir a fronteira de Gaza para deixar passar alimentos, remédios, materiais de construção pela cidade egípcia de Rafah, acabou fechando-a de uma vez, forçando milhares de palestinos a construir túneis na região de fronteira, reforçando o contrabando e encarecendo os preços.

Já temos notícias que dezenas de diplomatas israelenses e seus familiares já deixaram, há muito, o Cairo. Impera na chancelaria e em geral no governo israelense, um nervosismo excessivo. Isso foi registrado por diversos analistas. Israel sabe que um novo governo egípcio poderá romper o acordo de paz de 1979 e isso fará com que o estado judeu venha a ter que gastar muito mais em armamentos e despesas militares, pois há 32 anos ele desguarnece a fronteira Sul, com o Egito e concentra esforços com a front Norte do país, exatamente onde estão o Líbano, a Síria e Irã. Ruim para Israel isso.

Não tenho dúvidas que Israel vai ficando a cada dia mais isolado. E o Irã que não é um país árabe (é persa), se fortalece a cada dia. Senão, vejamos os motivos que elenquei:

  • Papeis recentemente divulgado pelo WikiLeaks (Palestinian Papers), revelaram acordos e negociações secretas entre Israel e a ANP, do grupo Fatah, que fizeram enfraquecer ainda mais o grupo de Abbas e fortalecer novamente o Hamas, que tem apoio do Irã e da Síria;
  • O Hezbolláh acaba de conseguir formar um governo de maioria no Líbano, derrubando o governo pró-EUA e Israel de Saad Hariri; registre-se que tal governo é chamado de Bloco Patriótico e é composto, além do Hezbolláh do sheik Hasan Nasralláh, mais o Movimento Patriótico Livre, do general cristão Michel Aoun, mais o grupo Amal, de orientação xiita, cujo líder é Nabi Berri, presidente do parlamento e pelo Partido Comunista Libanês;
  • O Irã tem boa influência no governo do 1º ministro xiita do Iraque, Nur El Maliki;
  • Desde os primeiros momentos, o Irã deu seu total apoio ao levante popular no Egito; Israel entrou em profundo mutismo e silêncio; reflete na verdade o seu imenso pavor de que todos os regimes árabes moderados e pró-Ocidente sejam derrubados no que alguns autores vêm chamando de Revolução de Jasmim ou Primavera Árabe;
  • O Irã tem profundas ligações com a Fraternidade Muçulmana, que Israel tem pavor que assuma o comando do país (de meu ponto de vista esse agrupamento vai participar do novo governo, mas não defenderá um governo o islâmico; o Egito é fortemente laico);
  • Todos os fracassos seguidos de Washington de barrar o programa nucelar iraniano para fins pacíficos – apoiado pelo Brasil inclusive – que agora deixa de ser o foco no OM; Israel perde seu discurso central;
  • A questão palestina e seu estado nacional, a paz volta a ser o centro das negociações e Israel não vai ter como sair disso.
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Lejeune Mirhan
Sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa e da International Sociological Association e colunista da Revista Sociologia da Editora Escala.

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