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Assad fala de 'nova era' no Oriente Médio

 Imprimir AP | 01/02/2011 A | A
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Jay Solomon e Bill Spindle | The Wall Street Journal, de Damasco

Assad: 'Se você não percebeu a necessidade de reformas antes do que aconteceu no Egito e na Tunísia, é tarde demais'.

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse que as revoltas populares no Egito, na Tunísia e no Iêmen estão abrindo "uma nova era" no Oriente Médio e reconheceu que os líderes árabes precisam fazer mais para atender às aspirações políticas e econômicas crescentes de seus povos.

"Se você não percebeu a necessidade de reformas antes do que aconteceu no Egito e na Tunísia, é tarde demais", disse Assad numa rara entrevista, realizada enquanto milhares de manifestantes enchiam as ruas do Cairo.

Os comentários do líder sírio são uma evidência de como a turbulência no Egito, em particular, está preocupando os líderes da região e forçando-os a reavaliar a estabilidade de seus países e suas práticas políticas. O regime de Assad, instituído por seu pai há quase 40 anos, é tido por alguns observadores forte candidato a enfrentar protestos parecidos. A economia síria tem gerado poucos empregos e dado pouco espaço para livre expressão e participação política.

Mas Assad, de 45 anos, argumentou numa entrevista de 90 minutos que os sírios vão permitir mais tempo para seu governo implementar reformas, porque sua forte oposição às políticas americanas e o papel de Damasco como principal contestador da legitimidade de Israel refletem mais a opinião pública de seu país e do mundo árabe que a abordagem do governo egípcio.

Embora insista que está aberto a melhorar as relações com Washington, e que acredita que os EUA têm um papel a cumprir nas questões regionais, Assad argumentou que a turbulência política crescente na região provavelmente vai diminuir a influência dos EUA, já que a oposição popular às alianças com Washington está aumentando em lugares como Egito, Tunísia, Líbano e Jordânia. Ele citou as guerras no Iraque e no Afeganistão e o fato de Washington não ter conseguido fechar um acordo de paz entre árabes e israelenses como as fontes da impopularidade dos EUA na região.

"A Síria é estável. Por quê?", disse Assad ao "Wall Street Journal" em seu escritório numa montanha perto de Damasco. "Porque você tem que estar intimamente ligado às opiniões do povo. Essa é a principal questão. Quando você diverge, cria esse problema, esse vácuo que gera distúrbios."

Como indicam as declarações de Assad, as rebeliões populares contra o presidente egípcio Hosni Mubarak e o agora deposto líder da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali, estão moldando o futuro dos líderes do Oriente Médio.

Muitos diplomatas e analistas acreditam que a Síria pode servir de termômetro para o Oriente Médio, enquanto continua a repercussão dos problemas no Egito e na Tunísia. A influência de Damasco tem aumentado nos últimos anos, já que sua aliança com o Irã e os grupos de militantes islâmicos Hamas e Hezbollah abriu o caminho para mais influência síria no Líbano, nos territórios palestinos e no Iraque.

Os governos de Assad e de seu falecido pai, Hafez al-Assad, já foram chamados de os mais repressivos da região. Isso motivou rumores nas capitais ocidentais de que a Síria também pode enfrentar protestos. O governo sírio, como o egípcio, tem em vigor lei de emergência instituída há décadas que permite a detenção e prisão de pessoas sem acusações formais. O sistema político da Síria e a mídia controlada pelo governo, enquanto isso, são vistos por muitos como mais rígidos até que os do Egito ou da Tunísia. "A polícia política da Síria, a temida mukharabat, continua detendo pessoas sem mandado, com frequência se recusando a divulgar o paradeiro delas por semanas e às vezes meses", a Human Rights Watch.

Assad reconheceu na entrevista que o ritmo da reforma política na Síria não progrediu tão rapidamente quanto ele previa quando assumiu o poder, em 1999, depois da morte do pai. Ciente do cenário em mutação no Oriente Médio, disse que realizará este ano reformas políticas adiadas há tempos e voltadas a uma abertura do país.

Assad citou especialmente uma nova legislação para instituir eleições municipais, promover mais envolvimento de organizações não governamentais na sociedade e uma nova lei de imprensa.

Mesmo assim, Assad indicou que Damasco não deve abraçar o tipo de reforma rápida e ampla que as multidões estão exigindo nas ruas do Cairo ou de Túnis. Ele disse que seu país precisa de tempo para fortalecer as instituições e melhorar a educação antes de realmente liberalizar o sistema político. As atuais exigências populares de reformas políticas rápidas podem ser contraproducentes se as sociedades árabes não estiverem prontas para elas, disse ele. "Será uma nova era de mais caos ou de mais institucionalização? Essa é a dúvida", disse Assad. "O fim ainda não está claro."

Damasco emergiu este mês praticamente vitorioso de uma disputa de quase oito anos com os EUA por influência no Líbano. O impasse foi impulsionado pelo assassinato, em 2005, do ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri, que algumas autoridades dos países ricos acreditam que foi ordenado pelo governo de Assad. O presidente sírio já negou várias vezes qualquer envolvimento com o atentado a bomba que matou Hariri.

A revolta popular no Líbano naquele ano forçou Assad a retirar quase 30 mil soldados sírios do país e gerou um tribunal da ONU para investigar a morte de Hariri. Inicialmente, a investigação acu

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