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Quanto pretexto do embaixador Giora Becher para defender o indefensável

 Imprimir Max Altman | 02/06/2010 A | A
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Consciência Jeans

Extraido do PT

Começo por citar textualmente um excerto do editorial do jornal HaAretz: Um bando de imprudentes, irresponsáveis e pessoas bêbadas pelo poder decidiu por uma ação que estava fadada a resultar em pessoas mortas e feridas. O que aconteceu foi um crime, contra Israel. Nenhuma pessoa sensata em Israel ou no exterior vai comprar a coleção de mentiras e pretextos com os quais os responsáveis estão tentando justificar-se.

Fica evidente que esse diário está condenando o desempenho dos executores da ação e não a ação em si, tentando limitar as responsabilidades aos que diretamente ordenaram o ataque. Contudo, como o primeiro-ministro Netanyhau e o chanceler Lieberman endossaram o assalto à Flotilha da Liberdade, a coleção de mentiras e pretextos se estende ao governo de Israel.

O embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher, em seu artigo Soldados corriam perigo de vida; reação foi de autodefesa, publicado na Folha de S. Paulo de 1º de junho, subscreve, sem tirar nem pôr, a coleção.

Diz o Sr. Becher que soldados da marinha israelense embarcaram em uma frota de seis navios que tentavam violar o bloqueio marítimo em Gaza. Embarcar em navios se embarca pelo portaló e não descendo de cordas de helicóptero ou a partir de velozes barcaças de assédio. Isto é invasão, é assalto militar. Depois a flotilha estava em águas internacionais e o bloqueio marítimo unilateral, à luz do direito de navegação, máxime pacífico, é absolutamente ilegal.

Afirma mais o embaixador que militantes a bordo do Marmara Mavi atacaram os soldados com armamentos como pistolas, facas e paus. As primeiras declarações dos participantes da flotilha era de que, em absoluto, não estavam armados. E que os marinheiros israelenses chegaram atirando. A cineasta brasileira Iara Lee, que estava a bordo do navio Mari Marmara, em entrevista à própria Folha de S. Paulo declarou que no meio da noite, em águas internacionais, os israelenses chegaram e começaram a atacar de maneira indiscriminada. Foi uma coisa de surpresa, de repente. Eu esperava que eles atirassem nas pernas ou para o alto, só para aterrorizar as pessoas, mas eles foram atacando direto, alguns foram atingidos na cabeça.

Cenas filmadas no convés do barco turco Mavi Marmara que estão rodando o mundo, mas são quase invisíveis nas redes norte-americanas não permitem qualquer dúvida sobre o que aconteceu. Comandos vestidos de negro, em trajes à prova de bala, armados até os dentes, abordaram o comboio a partir de barcos infláveis de alta velocidade, detonaram granadas de efeito moral e gás lacrimogêneo e atiraram a esmo, munição real, contra tudo o que viam , e um helicóptero militar sobrevoava os barcos. A certa altura, ouve-se o comandante turco do Marmara dizer, em inglês: Ninguém tente qualquer resistência. Estão armados com munição [real].

Era madrugada, estava escuro e grande parte dos manifestantes estava dormindo. Esta afirmação violenta a lógica: é possível enfrentar soldados fortemente armados e atacá-los com facas e paus?

Em seguida declara:o ataque contra os soldados israelenses foi premeditado. As armas utilizadas foram preparadas com antecedência. O sr. Becher acha mesmo que é preciso preparar com antecedência facas e paus? Dizer, em defesa dessa tese, que Huwaida Arraf, um dos organizadores da flotilha, afirmara : "Os israelenses vão ter que usar a força para nos parar", é risível. Podemos interpretá-la como nós vamos seguir em frente com a nossa missão. Para nos parar os israelenses vão ter que usar a força. O mesmo se pode dizer da frase de Bulent Yildirim, o líder do IHH (Fundo de Ajuda Humanitária) e um dos organizadores da missão humanitária: "Vamos resistir, e a resistência irá vencer". Ele não falou em resistência armada, nem mesmo a armada com paus e facas.

O Sr. Becher reconhece que a flotilha exercia legítimas atividades humanitárias mas que o grupo organizador tem orientação antiocidental e radical e apoia redes islâmicas radicais como o Hamas e elementos da jihad global, como a Al Qaeda. Essa é uma das mentiras da coleção de que fala o HáAretz. A bordo da frota havia gente de 38 nacionalidades e o grupo organizador é composto por várias personalidades comprovadamente ligadas historicamente a atividades humanitárias.

Acompanhe agora este raciocínio do embaixador: O Hamas, que controla Gaza, já lançou mais de 10 mil foguetes contra civis israelenses e atualmente está envolvido no contrabando de armas e suprimentos militares na região, por terra e mar, a fim de fortalecer suas posições e continuar seus ataques contra Israel. Sendo o Hamas isso tudo, então Israel tem o direito de agredir uma flotilha de navios civis, com carga de materiais não militares comprovada pelos próprios israelenses no porto de Ashdod para onde foram levadas as embarcações e assassinar quem se opuser a sua criminosa ação, ainda que seja com paus e facas.

Diz mais o Sr. Becher que a frota recusou repetidas ofertas de Israel para que os suprimentos fossem entregues no porto de Ashdod e transferidos por passagens terrestres existentes, em conformidade com os procedimentos estabelecidos. Esses procedimentos são estabelecidos por Israel unilateralmente que deixa passar o que quer. Agora mesmo, com os barcos sequestrados ancorados no porto de Ashdod, as autoridades israelenses retiveram cimento e tubos de hidráulica. E essas mesmas autoridades confessaram que não havia armas a bordo. Por que então a flotilha haveria de entregar os bens a Israel e não diretamente às autoridades constituídas de Gaza. Era e é uma opção legítima dos organizadores da Flotilha da Liberdade.

Enfiar o caso do soldado Gilad Shalit na argumentação, Sr. Becher, é uma falácia e uma tentativa de comover o leitor desavisado. O caso Shalit tem a ver com uma eventual troca de prisioneiros a ser tratada pelas partes e até com a intervenção da Cruz Vermelha e nada com o caso em tela.

À coleção de mentiras e pretextos de que fala o HaAretz, o embaixador acrescenta esta enormidade que destaco: Ao ficar claro que a frota tinha a intenção de violar o bloqueio, os soldados israelenses, que n&

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