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Israel constrói primeira nova colônia em 26 anos

 Imprimir El Pais | 19/05/2009 A | A
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Juan Miguel Muñoz
Em Jerusalém

O desafio diplomático de Barack Obama é descomunal. O presidente americano deverá salvar a divisão interna palestina, que se prevê insolúvel devido à recusa do Hamas a reconhecer a legitimidade de Israel, que por sua vez não esperou mais que algumas horas para evidenciar sua posição. O governo de Benjamin Netanyahu respondeu na segunda-feira com uma bofetada em Obama e nos países árabes, que exigem um freio para a expansão de assentamentos na Cisjordânia ocupada: uma nova colônia (a primeira em 26 anos, embora Netanyahu tenha prometido não construir novos assentamentos) deu na segunda-feira os primeiros passos perto do rio Jordão.

É difícil encontrar um dirigente mundial que se disponha a falar em um ultimato a Washington. O presidente israelense, Shimon Peres, o fez nas vésperas da cúpula Obama-Netanyahu. E não foi um ultimato, mas a Casa Branca aplicou na segunda-feira um golpe que ninguém esperava. Sem rodeios, os emissários de Obama exigiram que Israel suspenda a construção de colônias. As autoridades judaicas se comprometeram a não construir novos assentamentos, embora permitindo edificações nos já existentes. Também não cumpriram.

Na segunda-feira uma nova colônia, Maskiot, dava os primeiros passos na margem do Jordão, depois de quase três décadas sem inaugurar assentamentos. Os adversários dessa empreitada não tinham dúvida. "As ações em campo do governo Netanyahu são dirigidas a fazer que no futuro seja impossível a solução dos dois Estados", afirmou Yariv Oppenheimer, secretário-geral da ONG judia Paz Agora. É o obstáculo fundamental a uma saída viável para o inflamado conflito. Mas há outros.

A quinta rodada de negociações entre o Hamas e a Fatah terminou na segunda-feira no Cairo sem frutos. O Egito pressiona ambas as partes há um ano para que cheguem a um acordo que permita a formação de um governo de unidade. Para isso, lhes ofereceu o atrativo da abertura da fronteira entre Gaza e o Egito, ao mesmo tempo que os instava a fazer um pacto antes de 7 de julho. Mas o calendário eleitoral, a composição das forças de segurança e, sobretudo, o reconhecimento formal de Israel por parte do Hamas impedem o consenso. Sem unidade palestina, é improvável o sucesso em uma eventual negociação com Israel.

Um deputado da Fatah comentou há alguns dias para este jornal que seu partido vai esperar que as negociações entre EUA e Síria avancem, na esperança de que Damasco deixe o Hamas enfraquecido com o demolidor bloqueio econômico de Gaza. Vários países árabes, encabeçados por Jordânia e Egito, se esforçam para aplanar o caminho. Cairo e Amã propõem reforçar seus frágeis vínculos econômicos e políticos com Israel, em troca de deter a colonização da Cisjordânia e que Netanyahu se comprometa a negociar a proposta que a Casa Branca projeta com base na solução de dois estados. Todos sabem que, afinal, tudo depende do único país com capacidade para dissuadir Tel-Aviv: os EUA.

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