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Jovem refugiado é primeiro palestino jogador de futebol no Brasil

 Imprimir Arabesq | 20/03/2009 A | A
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Por Carolina Montenegro*

Ali Abu Taha, 19, chegou ao Brasil em 2007, com outros 106 palestinos, depois de passar cinco anos em um campo de refugiados na Jordânia. Desde pequeno jogava futebol e sonhava em entrar para a seleção da Palestina, mas foi no Brasil que deu seu primeiro passo e realizou um feito inédito para o futebol brasileiro. Ano passado se tornou o primeiro refugiado palestino jogador profissional do país, pelo time Brazsat, em Brasília.

Nesta segunda-feira em Brasília, Taha e outros dois jovens refugiados – o colombiano Fernando Herrera, 15, e o africano Solomon Kallon, 20 - participaram do anúncio oficial da parceria entre Brazsat e Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). “É a primeira vez que o símbolo da agência da ONU vai estampar a camisa de um time de futebol no mundo”, disse o representante do Acnur, Javier Cienfuegos, durante o evento de lançamento.

“Sempre acompanhei os jogos da seleção brasileira, torcia pro Brasil e não pro Iraque na Copa”, conta Taha, que nasceu no país árabe, mas manteve a naturalidade palestina como a de seus pais.

Os pais e os irmãos foram atendidos pelo programa de reassentamento solidário do Acnur e moram hoje em Mogi das Cruzes. “Jogo no Brazsat aqui em Brasília desde o ano passado, quando um amigo meu jornalista me indicou para o clube”, explicou Taha.

Brincalhão, conta que já sente saudades da capital quando volta para São Paulo e que está muito feliz. Não revela seu salário no time, mas afirma que “dá para ajudar os pais e ainda sobra um pouquinho”. Sobre os planos para o futuro faz menos reservas: “por enquanto, quero crescer no Brazsat e depois meu sonho é um dia jogar fora, pela seleção da Palestina”. 

Desde pequenos, Taha, Herrera e Kallon jogam bola, mas tiveram suas vidas devastadas pela guerra e foram forçados a deixar seus países. Encontraram refúgio no Brasil e no futebol.

Herrera e Kallon ainda estão em fase de teste no time e vivem em Brasília há menos de uma semana. A parceria entre Acnur e Brazsat faz parte da campanha Ninemillion.org da agência das Nações Unidas, que promove a educação e o esporte para cerca de nove milhões de crianças e jovens refugiados em todo o mundo. E conta com o apoio de parceiros corporativos do Acnur como a Nike e a Microsoft, entre outros.


* Carolina Montenegro é repórter freelancer e cobre jornalismo internacional há cinco anos, com passagens pela Folha de S. Paulo, Reuters e Ansa. Atualmente é repórter especial do site Refugees United (www.refunite.org) e escreve um livro-reportagem sobre os refugiados palestinos no Brasil.

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COMENTÁRIOS
 
Luciano Oliveira dos Santos 5/16/2009 4:34:51 AM
Esse fato vem provar que o esporte é um bom caminho pra manutenção da paz no mundo. E que pode certamente criar aliados por um bem comum.

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Fernando Herrera, Ali Abu Taha e Solomon Kallon são destaque do time Brazsat (ACNUR / L.F.Godinho) Fernando Herrera, Ali Abu Taha e Solomon Kallon são destaque do time Brazsat (ACNUR / L.F.Godinho)
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