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A cultura de ódio em Israel e a hipocrisia ocidental

 Imprimir Arabesq | 03/09/2010 A | A
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O líder espiritual do partido religioso israelense Shas, rabino Ovadia Yosef, declarou na semana passada, que os palestinos e seu líder deveriam desaparecer desse mundo.  Pregou o rabino: "Deus deveria atingir com praga todos os horríveis palestinos, que perseguem Israel”.

O sermão religioso foi transmitido pelos meios de comunicação israelenses.

Essas declarações , ao estilo “solução final”, causaram indignação no mundo inteiro.

Americanos, europeus e até o primeiro-ministro israelense distanciaram-se das declarações do líder religioso judeu.

Os governos americano e europeus condenaram  a pregação. Mas o primeiro ministro israelense,  Benjamin Netaniahu, não o condenou , apenas disse que tais declarações não representam a posição oficial do governo israelense.

É algo normal que afirmações racistas e anti-semitas (os palestinos são semitas) como aquela causem condenação e indignação no mundo  que tolera cada vez menos qualquer racismo e os racistas.

O que causou indignação maior foi a reação hipócrita dos governos dos Estados Unidos e Europa.   A reação deles faria crer que a fala do rabino Ovadia Yosef é uma voz isolada na “ilha de humanismo e direitos  humanos”  que é Israel.

De fato, nada mais longe da verdade do que essa percepção.

Essas declarações são fruto natural  de uma ideologia racista  que engendrou, mantém e continua dominando aquele Estado – o sionismo.

Os europeus e americanos deveriam condenar não apenas as palavras do aquele rabino, mas o Estado que  faz das suas políticas e atitudes, a tradição prática do sermão de ódio e extermínio.

Não são as primeiras declarações anti-semitas do rabino Ovadia  e ele não é o primeiro rabino, tampouco o primeiro político israelense,  que pensa, declara e age  dessa maneira racista, defendendo o extermínio de um povo, que semelhante ‘a ideologia hitleriana, ele julga indigno.
Quase todos os políticos israelenses são dessa opinião!

Durante a última investida contra Gaza, há dois anos atrás, mais de 90% da população israelense, manifestou-se a favor da continuação do genocídio da população civil palestina.

Naquela ocasião, outro rabino chefe de Israel, Mordechai Eliyahu, escreveu uma carta para o então primeiro-ministro, Ehud Olmert, na qual, como líder religioso, considerava que não há absolutamente nenhuma proibição moral contra a matança indiscriminada de civis durante uma ofensiva militar em Gaza.

A carta do rabino Eliyahu foi publicada  no Olam Katan (“pequeno mundo”), um panfleto semanal distribuído nas sinagogas de toda Israel.

Segundo Eliyahu e de acordo com a “ética” judaica de  guerra, “uma cidade inteira tem a responsabilidade coletiva pelo comportamento de alguns indivíduos e como a população de Gaza nada faz para impedir o lançamento dos foguetes contra Israel, essa população deve ser castigada. Podemos assassinar até um milhão de palestinos, se for necessário” – declarou o rabino na sua carta.

Outro rabino, na mesma época, declarou que a única maneira moral de fazer guerra é conforme as leis e a ética judaicas: destruir cidades inteiras, matança indiscriminada de civis, inclusive crianças.
Esses rabinos são líderes religiosos influentes  em um Estado que se define como judeu e portanto, teocrático.

O rabino Ovadia Yosef é o líder máximo de seu partido político e ao mesmo tempo, seu guia espiritual.

Esse partido participa do atual governo israelense, que declara que sua intenção é chegar a um acordo de paz com os palestinos.

Esse governo não deixa claro se esse acordo com os palestinos sairá antes ou depois de exterminá-los - “solução  final”

O rabino Ovadia Yosef é considerado um “santo” e “sábio” por centenas de milhares de seus seguidores. 

Se essas são as  declarações dos santos” e sábios de Israel,  podemos imaginar as atitudes dos menos virtuosos,  em relação aos palestinos.

Em  uma outra declaração feita por Ovadia, ele chamou os árabes de “serpentes, que devem ser exterminadas como vermes”. Ele disse “é proibido ter compaixão deles, devemos atacá-los com mísseis e aniquilá-los”.  Segundo  Ovadia (Hitler?), quando um judeu mata um árabe,  isso equivale a matar uma serpente ou um verme. Acrescenta que ninguém pode negar que os vermes e as serpentes são ameaça para a humanidade. Livrar-se de tais pragas é algo natural”.

Por só declarações muito menos ofensivas que essas, o ocidente escolheu o presidente iraniano como inimigo número um do mundo civilizado. O ocidente quer que o mundo acredite que o Irã e seu presidente são a única ameaça para a paz e estabilidade no Oriente Médio e por isso, o Irã deve ser atacado e seu regime deve ser derrubado.

Enquanto líderes israelenses não apenas caracterizam os árabes como serpentes, vermes e animais, e agem conforme essa convicção, ouvimos apenas declarações muito tímidas desses “pseudo-humanistas” e “pseudo-democratas”, hipócritas.

Os governos americano e europeus não devem estranhar porque tantos árabes, muçulmanos e muitos outros do terceiro mundo, recebem suas declarações sobre democracia e direitos humanos com tanta desconfiança.

Aqueles que gritam dia e  noite  denunciando anti-semitismo branco (anti-judeu), muitas vezes fabricado,  calam-se diante  de tais declarações e condutas anti-semitas quando essas são dirigidas contra os morenos árabes.

Esses falsos moralistas de plantão  se esquecem de que no julgamento da História, serão condenados não apenas os racistas, mas também todos aqueles que nada fizeram para conter o racismo.

A voz do rabino Ovadia é a verdadeira voz-essência  do sionismo, que planejou, criou e alimenta Israel desde sempre até hoje.

Os racistas declaram, falam, justificam, adotam ideologias racistas e o Estado criado por eles e para ser exclusivamente para eles, judeu , em pureza racial (idéia de Hitler?) transforma  tudo isso em ações coordenadas de guerras, genocídio, limpeza étnica,  matança de crianças.
A diferença é que alguns fazem isso em nome de “deus” (Moloch?) e outros, em nome da segurança.

Os racistas são sempre capazes de nos surpreender. Quando achamos que o pior já foi feito ou dito, algo ainda pior acontece.

Para justificar as últimas declarações do seu mestre, um dos seguidores de Ovadia, um membro do Knesset (parlamento) israelense, Nissan Zeev, anunciou para a imprensa local, que o rabino estava tentando expressar o desejo transmitido pela tradição oral dos sábios e textos sagrados judaicos, segundo os quais,  Deus eliminaria os inimigos de Israel, para abrir o caminho de paz.
Até quando esses “sábios”  e essa tradição continuarão a crucificar ?

O racismo é inimigo  da humanidade e é obrigação  de todos  realizar um esforço coletivo pela busca de uma solução justa, que trará a paz !

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Abdel Latif Hasan Abdel Latif

COMENTÁRIOS
 
Aparecida Casseb Lossano 9/3/2010 6:45:57 PM
É lamentável ler uma notícia desta quando se espera que um líder religioso seja o mediador da paz, o facilitador de uma convivência menos beligerante e que instigue o amor e a verdade. Sei que o racismo é cultural, mas se não houver desapego a valores tão retrógrados e avassaladores, jamais conseguiremos a paz que os homens de bem desejam. Será que o Obama ao reunir os contendores realmente visa o fim de tantas chacinas? Hitler numa dessas é Santo.

Arnaldo 9/5/2010 8:45:12 PM
As palavras racistas deste rabino não me surpreendem. Não são os judeus, afinal, o "povo escolhido" por Jeová? O que este rabino de nome sugestivo - Ovadia - diz é a continuação de uma tradição religiosa racista, que vê naqueles que são não-judeus apenas "gentios", gente de segunda classe, quase não-humanos, ou seja, nós!!

neuza augusto 9/7/2010 3:24:06 PM
tanto odio, tanta crueldade e em nome de deus, alias na terra santa, triste, inacreditavel, esse inferno tera fim um dia? Sera que um dia eles vão ter olhos de ver e ouvidos de ouvir?

E você, o que acha disso?
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