A comunidade muçulmana de Londres se desculpou nessa quarta-feira (10) depois que um motorista muçulmano da Somália parou o ônibus para poder rezar. Na segunda-feira da semana passada, o motorista de um ônibus que circulava ao norte de Londres parou seu veículo, estendeu um tapete no meio do corredor, tirou os sapatos, se virou para Meca e começou a rezar em Árabe, segundo os meios de comunicação locais.
Kamal Al Halbaui, uma das autoridades muçulmanas na capital britânica, afirmou que havia prazo maior para que o motorista pudesse realizar a sua oração sem interromper seu trabalho e prejudicar os passageiros. Para Kamal tal atitude pode conturbar a imagem do islamismo e a sua prática, e desrespeita o islã e os muçulmanos.
“Aquilo que o motorista fez pode parecer um sinal maior de fé, mas é inaceitável por diversos motivos, principalmente porque a sociedade onde vivemos não entenderá o ocorrido. Isso porque os muçulmanos no ocidente são acusados de extremismo e terrorismo, e tais atitudes contribuem para fortalecer essas imagens” disse Kamal.
O setor encarregado pelo transporte público de Londres se desculpou nesta terça-feira (09) com os usuários. A Transport for London (TfL), que coordena os ônibus da capital, lembrou que respeita as crenças religiosas de seus empregados, mas pediu que não rezem durante suas horas de trabalho.
"TfL pede desculpas aos passageiros por qualquer prejuízo que tenha lhes causado", declarou o organismo, afirmando que vai lembrar os condutores que precisam rezar que o façam "durante seus intervalos".
Uma mulher citada pelo jornal Daily Telegraph, Gayle Griffiths, 33 anos, declarou que os passageiros reagiram com "uma mistura de surpresa e incredulidade" quando o homem começou a rezar.
"Quando terminou, ele se levantou e voltou a acelerar, tudo sem nenhuma explicação ou desculpa. Foi realmente raro, ridículo e irritante", acrescentou, afirmando que a reza durou cerca de cinco minutos.
A TfL lembrou que possui salas de oração e espaços tranquilos em garagens e outros edifícios à disposição dos empregados que queiram praticar sua fé.
Com EFE