Da Redação Arabesq
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, ameaçou nesta quinta-feira "trucidar" o Exército da Síria e derrubar o presidente do país, Bashar al-Assad, em caso de uma guerra entre os dois países.
"Você e sua família perderão o poder", afirmou Lieberman, acrescentando ainda que a Síria deve abandonar seus sonhos de recuperar a região das Colinas do Golã, ocupadas por Israel.
As ameaças agravam ainda mais a escalada verbal entre os dois países verificada nos últimos dias com uma declaração do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, de que se não houver um acordo de paz com a Síria, "poderá haver uma guerra generalizada".
No mesmo dia, o exercito israelense realizou exercícios militares simulando um ataque contra a Síria.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Moallem, declarou que os israelenses devem parar de se comportar como "bandidos" e afirmou que "os israelenses sabem que a próxima guerra será regional e vai alcançar cidades israelenses”.
O ministro sírio também disse que Israel "está plantando as sementes de um clima de guerra, ameaçando atacar o Irã, o Líbano e a Faixa de Gaza".
Nessa quarta-feira, o presidente da Síria, Bashar Al Assad, também acusou Israel de tentar levar o oriente médio para uma nova guerra, e reafirmou que Israel não em intenções de caminhar em direção da paz.
''Provocações desnecessárias''
Líderes políticos da esquerda e da oposição classificaram as ameaças de Lieberman contra a Síria como "irresponsáveis e insensatas" e pediram que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu demita seu chanceler por fazer "provocações desnecessárias".
Além de ameaçar derrubar o regime sírio, Lieberman também anunciou que a Síria deve "abrir mão do sonho de reaver as colinas do Golã, isso não vai acontecer".
A devolução das colinas do Golã, ocupadas por Israel durante a guerra de 1967, é a condição fundamental da Síria para qualquer acordo de paz com Israel.
A última ameaça ao regime sírio por parte de um líder israelense importante ocorreu poucos meses antes da guerra de 1967 e foi feita por Itzhak Rabin, então chefe do Estado Maior do Exército israelense e que seria posteriormente primeiro-ministro do país, de 1974 a 1977 e de 1992 até seu assassinato, em 1995.
Abalo Interno
O historiador Moshe Maoz, especialista no mundo árabe, disse à rádio estatal de Israel que as ameaças de Lieberman são "gravíssimas".
"Trata-se de uma provocação de extrema gravidade, principalmente quando vem de um ministro das Relações Exteriores, que supostamente deveria procurar caminhos diplomáticos, é uma catástrofe", afirmou Maoz.
O deputado Eitan Kabel, do partido Trabalhista, exigiu que o premiê Netanyahu demita "imediatamente" o ministro das Relações Exteriores.
"Não é possivel que uma pessoa insensata e irresponsável como Lieberman ocupe uma posição tão importante em uma situação tão delicada", afirmou.
"Lieberman ultrapassou todos os limites e um primeiro-ministro razoável deveria dar um chute nele", disse Kabel.
O Partido Trabalhista faz parte da coalizão governamental liderada por Netanyahu.
Com BBC Brasil