A TV israelense confirmou a veracidade do relatório publicado por um jornalista sueco que acusa Israel de roubar órgãos de palestinos mortos em confrontos armados e doá-los a soldados israelenses.
Segundo o canal israelense, córneas, ossos longos e pele são alguns dos membros retirados por Israel de palestinos, sem autorização de seus familiares, e doados ilegalmente aos israelenses.
Os médicos do instituto de anatomia de Israel negaram as acusações, mas um filme gravado há dez anos pelo então funcionário do instituto e atual responsável pela medicina legal em Israel, “Judéia Has”, mostra em 57 minutos o médico falando claramente sobre as técnicas de extração de órgãos de cadáveres, recomendado a rápida implantação em doentes israelenses.
A fita mostra que o crime era praticado desde a década de 80, os documentos do instituto carregam a assinatura de Has que aparece em uma das passagens dizendo: “Nós (os médicos do instituto) retirávamos as córneas sem tirar os olhos, e fechávamos o olho cobrindo a córnea. Fazíamos isso pelo desenvolvimento científico".
A extração e o uso de órgãos são permitidos em Israel com autorização prévia de familiares dos mortos, mas Has confirma na fita que membros eram doados a hospitais em Israel, como o de Tel Hashomer, em Tel Aviv, pelos quais não cobravam nada por serem “médicos amigos”, mas o hospital teria feito uma doação de um microscópio ao instituto em retribuição.
“Retirávamos a pele das costas do falecido, pois os familiares não costumam virar o cadáver e não descobriam”, explica na gravação um dos médicos.
Hess nega as acusações, o ministério da saúde de Israel defende que todo o conteúdo das gravações ocorria de acordo com a lei.
O porta-voz do Exército israelense pediu para encerrar o debate sobre o assunto. Os hospitais israelenses afirmam que o assunto é “velho” e questionam a necessidade de falar sobre isso nesse momento.
Com al-arabiya