Exegese do Alcorão III (Surata Al-Fatiha)

Receita de Exegese do Alcorão III (Surata Al-Fatiha)

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Continuação da análise do primeiro capítulo do alcorão (Al-Fátiha) versículo 6 e 7

6. Guia-nos à senda reta,
7. À senda dos que agraciaste, não à dos abominados, nem à dos extraviados.

Guia-nos à senda reta
Após confessar a sua submissão ao Senhor do Universo, elevando-se ao nível de adoração a Deus e o pedido de ajuda a Ele, o homem, esse servo, apresenta o primeiro pedido ao seu Criador, ou seja, o pedido de orientação para a senda reta, senda da pureza e do bem, o caminho da justiça e do benefício, o caminho da fé e das boas obras, para que Deus lhe proporcione a dádiva da orientação, como lhe proporcionou todas as outras dádivas. O homem, nesta etapa, é, certamente, crente e conhece a seu Senhor, porém, está sempre sujeito, devido aos fatores antagônicos, a perder essa dádiva e se desviar da senda reta. Por isso, ele deve sempre repetir ao menos dezenas de vezes por dia o seu pedido a Deus para guiá-lo para a senda reta, evitando os tropeços e os desvios.

Acrescento ao que foi dito anteriormente que a senda reta é a religião de Deus, e possui posições e graus de tal forma que nem todas as pessoas se igualam neles. Por mais que o homem se eleve de posição, há outras posições mais elevadas e distantes. O crente deve sempre galgar essa escada elevatória, e pedir ajuda a Deus para isso.

Uma pergunta se faz em nossa mente a respeito da causa de nosso pedido de orientação para a senda reta: Será que estamos desorientados para precisarmos de orientação? Como essa questão é aplicada aos infalíveis, sendo eles o exemplo do homem perfeito? A resposta a isso é:

Primeiro: o homem está sujeito a todo instante ao perigo de tropeço e de desvio da senda da orientação – como citamos acima. Por isso, é dever de todo indivíduo confiar os seus assuntos a Deus, pedindo-Lhe para fixar os seus passos na senda reta. Devemos lembrar sempre que a dádiva de existência e de todas as graças divinas nos chegam do Altíssimo, a cada instante, e que nós e todas as outras criaturas – a determinados instantes –, a exemplo das lâmpadas elétricas, cuja luz é proporcionada constantemente pela energia que lhe chega do gerador elétrico. Esse gerador proporciona, a cada instante, nova energia e a envia, através dos fios, às lâmpadas para se transformar em luz. A nossa existência parece-se com essas lâmpadas. A nossa existência, mesmo parecendo constante, é, na realidade, uma existência renovável que nos chega constantemente da origem da existência, o Generoso Criador.

Essa constante renovação na existência exige constantemente de uma nova orientação. Se houver um defeito nos fios virtuais que nos ligam a Deus, como a injustiça, o pecado, etc. a nossa ligação com a Fonte da orientação cessa, os nossos pés escorregam de repente da senda reta. Nós suplicamos Deus em nossas orações para que não aconteça esse defeito em nossa ligação com Ele, e permaneçamos firmes na senda reta.

Segundo: A orientação é seguir o caminho da perfeição, onde o homem percorre etapas da imperfeição para alcançar as etapas mais elevadas. O caminho para a perfeição – como se sabe – é ilimitado e constante até o infinito.

Entendemos do que foi dito acima o motivo que os profetas e os imames (AS) têm de suplicar Deus, o Altíssimo, que os oriente para a Senda Reta, uma vez que a Perfeição absoluta só pertence a Deus, e tudo, além d’Ele, segue o caminho da perfeição. Portanto, não seria estranho que as pessoas infalíveis peçam graus mais elevados de seu Senhor.

Nós invocamos paz e graça de Deus para Mohammad e para a família de Mohammad. Isso significa que um novo pedido de misericórdia divina para Mohammad e para os seus familiares, é o pedido de uma posição mais sublime para eles. O Mensageiro (S) disse o que Deus lhe ensinou dizer: “Dize: Ó Senhor meu, aumenta-me em sabedoria!” (20:114)

O Alcorão Sagrado diz: “E Deus aumentará os orientados com mais orientação” (19L76)

E diz: “Quanto àqueles que se orientam, Ele lhes aumenta a orientação e lhes concede piedade.” (47:17)

O Emir dos crentes ‘Áli (AS) disse a respeito da exegese de: “Guia-nos à senda reta” (1:6): “Concede-nos constantemente o Teu sucesso pela obediência de Teus mandamentos nos dias passados, para que Te obedeçamos no futuro das nossas vidas.”

O Imam Jaafar Ibn Mohammad Assádik (AS) disse: “Significa orientar-nos para nos apegarmos ao caminho que leva a amar-Te e que concede o Teu Paraíso, que nos veda de seguirmos os nossos desejos, que nos arruinará, ou esquecermos do nosso Criador, que causará a nossa perdição.”
A senda, filologicamente, significa caminho claro e amplo. O termo é citado, no Alcorão Sagrado bem como os seus derivados 54 vezes e  como sinônimos 187 vezes.

A senda, como parece pelos versículos do Alcorão, é a religião do monoteísmo, o apego às ordens de Deus, o Altíssimo, e o afastar-se de Suas proibições. Ele diz: “Sabei que Deus é meu Senhor e o vosso. Adorai-O, pois. Essa é a senda reta.” (3:51)

Porém, aparece no Alcorão Sagrado com diferentes expressões: É a religião inatacável e o credo de Abraão (AS) de acordo com as palavras de Deus, o Altíssimo: “Dize: Meu Senhor conduziu-me pela senda reta – uma religião inatacável; este é o credo de Abraão, o monoteísta, que jamais se contou entre os idólatras.” (6:161)

É também a rejeição da adoração de Satanás e o direcionamento para a adoração de Deus, o Único, de acordo com as palavras do Altíssimo: “Porventura não vos prescrevi, ó filhos de Adão, que não adorásseis Satanás, porque é vosso inimigo decla

Al-Sayyed Sharif Sayyed
Teólogo e pesquisador em pensamento Islâmico, Diretor Geral da revista Evidências
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