6. Guia-nos à senda reta,
7. À senda dos que agraciaste, não à dos abominados, nem à dos extraviados.
Guia-nos à senda reta
Após confessar a sua submissão ao Senhor do Universo, elevando-se ao nível de adoração a Deus e o pedido de ajuda a Ele, o homem, esse servo, apresenta o primeiro pedido ao seu Criador, ou seja, o pedido de orientação para a senda reta, senda da pureza e do bem, o caminho da justiça e do benefício, o caminho da fé e das boas obras, para que Deus lhe proporcione a dádiva da orientação, como lhe proporcionou todas as outras dádivas. O homem, nesta etapa, é, certamente, crente e conhece a seu Senhor, porém, está sempre sujeito, devido aos fatores antagônicos, a perder essa dádiva e se desviar da senda reta. Por isso, ele deve sempre repetir ao menos dezenas de vezes por dia o seu pedido a Deus para guiá-lo para a senda reta, evitando os tropeços e os desvios.
Acrescento ao que foi dito anteriormente que a senda reta é a religião de Deus, e possui posições e graus de tal forma que nem todas as pessoas se igualam neles. Por mais que o homem se eleve de posição, há outras posições mais elevadas e distantes. O crente deve sempre galgar essa escada elevatória, e pedir ajuda a Deus para isso.
Uma pergunta se faz em nossa mente a respeito da causa de nosso pedido de orientação para a senda reta: Será que estamos desorientados para precisarmos de orientação? Como essa questão é aplicada aos infalíveis, sendo eles o exemplo do homem perfeito? A resposta a isso é:
Primeiro: o homem está sujeito a todo instante ao perigo de tropeço e de desvio da senda da orientação – como citamos acima. Por isso, é dever de todo indivíduo confiar os seus assuntos a Deus, pedindo-Lhe para fixar os seus passos na senda reta. Devemos lembrar sempre que a dádiva de existência e de todas as graças divinas nos chegam do Altíssimo, a cada instante, e que nós e todas as outras criaturas – a determinados instantes –, a exemplo das lâmpadas elétricas, cuja luz é proporcionada constantemente pela energia que lhe chega do gerador elétrico. Esse gerador proporciona, a cada instante, nova energia e a envia, através dos fios, às lâmpadas para se transformar em luz. A nossa existência parece-se com essas lâmpadas. A nossa existência, mesmo parecendo constante, é, na realidade, uma existência renovável que nos chega constantemente da origem da existência, o Generoso Criador.
Essa constante renovação na existência exige constantemente de uma nova orientação. Se houver um defeito nos fios virtuais que nos ligam a Deus, como a injustiça, o pecado, etc. a nossa ligação com a Fonte da orientação cessa, os nossos pés escorregam de repente da senda reta. Nós suplicamos Deus em nossas orações para que não aconteça esse defeito em nossa ligação com Ele, e permaneçamos firmes na senda reta.
Segundo: A orientação é seguir o caminho da perfeição, onde o homem percorre etapas da imperfeição para alcançar as etapas mais elevadas. O caminho para a perfeição – como se sabe – é ilimitado e constante até o infinito.
Entendemos do que foi dito acima o motivo que os profetas e os imames (AS) têm de suplicar Deus, o Altíssimo, que os oriente para a Senda Reta, uma vez que a Perfeição absoluta só pertence a Deus, e tudo, além d’Ele, segue o caminho da perfeição. Portanto, não seria estranho que as pessoas infalíveis peçam graus mais elevados de seu Senhor.
Nós invocamos paz e graça de Deus para Mohammad e para a família de Mohammad. Isso significa que um novo pedido de misericórdia divina para Mohammad e para os seus familiares, é o pedido de uma posição mais sublime para eles. O Mensageiro (S) disse o que Deus lhe ensinou dizer: “Dize: Ó Senhor meu, aumenta-me em sabedoria!” (20:114)
O Alcorão Sagrado diz: “E Deus aumentará os orientados com mais orientação” (19L76)
E diz: “Quanto àqueles que se orientam, Ele lhes aumenta a orientação e lhes concede piedade.” (47:17)
O Emir dos crentes ‘Áli (AS) disse a respeito da exegese de: “Guia-nos à senda reta” (1:6): “Concede-nos constantemente o Teu sucesso pela obediência de Teus mandamentos nos dias passados, para que Te obedeçamos no futuro das nossas vidas.”
O Imam Jaafar Ibn Mohammad Assádik (AS) disse: “Significa orientar-nos para nos apegarmos ao caminho que leva a amar-Te e que concede o Teu Paraíso, que nos veda de seguirmos os nossos desejos, que nos arruinará, ou esquecermos do nosso Criador, que causará a nossa perdição.”
A senda, filologicamente, significa caminho claro e amplo. O termo é citado, no Alcorão Sagrado bem como os seus derivados 54 vezes e como sinônimos 187 vezes.
A senda, como parece pelos versículos do Alcorão, é a religião do monoteísmo, o apego às ordens de Deus, o Altíssimo, e o afastar-se de Suas proibições. Ele diz: “Sabei que Deus é meu Senhor e o vosso. Adorai-O, pois. Essa é a senda reta.” (3:51)
Porém, aparece no Alcorão Sagrado com diferentes expressões: É a religião inatacável e o credo de Abraão (AS) de acordo com as palavras de Deus, o Altíssimo: “Dize: Meu Senhor conduziu-me pela senda reta – uma religião inatacável; este é o credo de Abraão, o monoteísta, que jamais se contou entre os idólatras.” (6:161)
É também a rejeição da adoração de Satanás e o direcionamento para a adoração de Deus, o Único, de acordo com as palavras do Altíssimo: “Porventura não vos prescrevi, ó filhos de Adão, que não adorásseis Satanás, porque é vosso inimigo declarado? E que Me adorásseis, porque esta é a senda reta?” (36:60-61)
É nosso dever citarmos que a senda reta é uma só, porque não existe entre dois pontos mais do que uma linha reta, que representa a menor distância entre eles. Por isso, o Alcorão Sagrado citou a senda no singular, e os outros caminhos no plural. O Altíssimo, disse: “Esta é a Minha senda reta. Segui-a e não sigais os demais caminhos, para que estes não vos desviem da Sua. Eis o que Ele vos prescreve, para que O temais.” (6:153). E porque a senda reta é a luz que encaminha o homem na vida, a luz foi citada no singular, enquanto as trevas aparecem no plural, porque a luz é única e é o caminho de Deus, e porque a verdade é uma só, e além da verdade só há o extravio.
Quanto aos outros caminhos, são numerosos e, por isso, são citados no plural. O Altíssimo disse: “Deus é o Protetor dos crentes; é Quem os retira das trevas e os transporta para a luz; ao contrário, os protetores dos incrédulos são os sedutores, que os retiram da luz, levando-os para as trevas; eles serão condenados ao Inferno, onde permanecerão eternamente.” (2:257). Deduz-se disso que a religião verdadeira é uma só, não mais: “Para Deus a religião é o Islã.” (3:19).
Compreende-se disso que as várias exegeses quanto à senda reta se resumem num só significado. Foi dito que é a paz, que é o Alcorão, que são os profetas e os líderes, que é a religião de Deus que não se aceita outra além dela. Todos esses significados são atribuídos à mesma religião divina nos seus lados doutrinário e prático. Os textos existentes nas fontes islâmicas nesse campo apontam vários lados dessa única verdade. Todas elas atribuídas a uma só raiz. O Mensageiro de Deus (S) disse que a senda de “Guia-nos à senda reta” é a senda dos profetas, que foram agraciados por Deus.
Jaafar Ibn Mohammad Assádik (AS) comentando o versículo “Guia-nos à senda reta”, disse: “O caminho para se conhecer Deus se divide em duas partes: a senda deste Mundo e a senda da Outra Vida. Quanto à senda deste Mundo é o Imam que deve ser seguido, e quem o conhecer no mundo e seguir a sua orientação passará pela senda que é a ponte sobre o Inferno, na Outra Vida. Quem não oconhecer seus passas tremerão na senda da Outra Vida e será arrojado no Fogo do Inferno.” Ele também disse: “Por Deus, nós somos a senda reta.”.
Fica claro que o Profeta (S) e os líderes dentre seus familiares (AS) todos convocaram para a divina religião monoteísta, e para o apego a ela, ideológica e ativamente. As palavras do Altíssimo: “À senda dos que agraciaste, não à dos abominados, nem à dos extraviados” são explicações claras da Senda Reta. Ela é a senda dos envolvidos por vários tipos de dádivas (como a dádiva da orientação, do sucesso, da liderança correta, da educação, da ação, do jihad e do testemunho de fé), não os envolvidos pela ira divina devido às suas más obras e ao desvio de seus corações, nem os extraviados e perdidos do caminho da verdade e da orientação, como resultado do desvio de seus pensamentos e suas más obras.
Quem são, então, os que Deus agraciou. São os abrangidos pelo nobre versículo: “Aqueles que obedecem a Deus e ao Mensageiro, contar-se-ão entre os agraciados por Deus: profetas, verazes, mártires e virtuosos. Que excelentes companheiros serão!” (4:69)
O versículo, claramente, divide os que são agraciados por Deus em quatro categorias: profetas, verazes, mártires e virtuosos. Pode ser que a citação das quatro categorias seja uma indicação das quatro etapas necessárias para a edificação de uma sociedade humana, sã, evoluída e crente.
Primeira etapa: Etapa do aparecimento dos profetas com sua convocação divina.
Segunda etapa: Etapa da atividade dos verazes cujas palavras se harmonizam com seus atos para a divulgação da missão.
Terceira etapa: Etapa da luta contra os elementos antagônicos e perversos na sociedade. Nessa etapa os mártires derramam o seu sangue para regar a árvore do monoteísmo.
Quarta etapa: é a etapa do aparecimento dos virtuosos numa sociedade pura, repleta de valores e exemplos humanos, por ser apta para a atividade e abnegação.
Então, nós, na Surata da Louvação, pedimos a Deus, de manhã e de noite, que nos conte entre aquel–es quatro grupos: profetas, verazes, mártires e virtuosos. É certo que temos de cumprir, a cada etapa, com a nossa obrigação e com a nossa missão.
Deus, Glorificado seja, determinou para todos, além d’Ele, um caminho para ser percorrido. Ele disse: “Ó humano, em verdade, esforçar-te-ás afoitamente por compareceres ante o teu Senhor.
Logo O encontrarás!” (84:6). Esse versículo explica que Deus determinou um objetivo elevado para o homem – e o homem aqui significa toda a humanidade. Toda ela caminha na direção do Altíssimo, com esforço contínuo e empenho. Da mesma forma, a humanidade quando se esforça na direção de Deus ela caminha constantemente na direção do ápice da sua perfeição e da sua evolução para o melhor. Esse caminhar na direção de um objetivo é considerado, certamente, um caminho que se prolonga entre o caminhante e aquele objetivo. É o caminho a respeito do qual os versículos sagrados falam em pontos diferentes sob o nome de caminho de Deus, senda de Deus, senda. Todas essas diferentes formas alcorânicas falam do caminho que impõe a marcha e a marcha que impõe o caminho. Da mesma forma, aquele caminho impõe a marcha, e o versículo sagrado “Ó humano, em verdade, esforçar-te-ás afoitamente por compareceres ante o teu Senhor. Logo O encontrarás!” fala da verdade patente, sobre uma realidade objetiva e fixa: cada avanço do homem, na sua longa marcha histórica, é um avanço na direção do Glorificado e Exaltado seja. Mesmo os grupos que se apegam aos tipos ínfimos e aos deuses artificiais, mesmo os grupos que o Alcorão denomina de politeístas, caminham na direção de Deus. Porém, há uma diferença entre uma marcha responsável e marcha irresponsável. Quando a humanidade avança, seguindo o Exemplo Sublime de forma consciente e objetiva, o avanço é considerado responsável. Porém, quando o avanço é separado da conscientização daquele exemplo, é um avanço, de qualquer forma, na direção de Deus, porém um avanço irresponsável.
Portanto, cada avanço é feito na direção de Deus, mesmo daqueles que correm atrás de uma miragem, como o versículo sagrado diz: “Quanto aos incrédulos, as suas ações são como uma miragem no deserto; o sedento crerá ser água e, quando se aproximar dela, não encontrará coisa alguma. Porém, verá ante ele Deus, Que lhe pedirá contas, porque Deus é Expedito no cômputo.” (24”39). Aqueles que correm atrás de uma miragem social, atrás de um tipo ínfimo, quando chegam ao local da miragem nada encontram; encontram Deus, Glorificado e Exaltado seja, e Ele pedirá contas a eles. Deus, Glorificado e Exaltado seja, é o final do caminho, mas não é o final no sentido geográfico dos longos caminhos. Deus, Glorificado e Exaltado seja, é Absoluto, é o Exemplo Sublime. Por ser Absoluto, Ele Se encontra ao longo do caminho, sem nenhum vazio, sem nenhuma restrição, sem nenhum limite. Quem chegar à metade do caminho, quem chegar ao local da miragem pára e descobre que é miragem. O que encontra? Encontra Deus que lhe pedirá contas, porque o Absoluto existe ao longo do caminho e, dependendo do congestionamento do caminho e de seu avanço, o homem encontra o Exemplo Sublime, encontra a Deus, Glorificado e Exaltado seja, onde irá parar, dependendo do volume de sua marcha, e de seu avanço. Com a determinação de que Deus, Glorificado e Exaltado seja, é Absoluto, então o caminho também não tem fim e é uma aproximação constante na direção de Deus, porque o limitado não alcança o Absoluto. O espaço aberto entre o homem e o Exemplo Sublime aqui é um espaço ilimitado, ou seja foi-lhe deixada a maravilha da infinidade, um espaço da evolução integral para a infinidade, considerando que o caminho estendido é um caminho infinito. A humanidade, quando é bem sucedida na sua conscientização da marcha e da realidade cósmica dessa marcha, descrita como caminhante e se dirige na direção de Deus, experimentará uma mudança na forma e na quantidade dessa marcha. Quanto à mudança na quantidade desse movimento é que o caminho, quando for um caminho para o Verdadeiro Exemplo Sublime, ele é infinito, ou seja, o domínio da evolução, da invenção e do crescimento é permanente, constantemente aberto para o homem. O Exemplo Sublime, quando é adotado, elimina do caminho todos os falsos deuses, todos os ídolos e todos os ídolos anões construídos ao longo do caminho do homem, que são percalços entre o homem e a sua aproximação de Deus, Glorificado e Exaltado seja. Daí a religião do monoteísmo estar em luta constante com as diferentes variedades de deuses e tipos ínfimos e repetitivos que surgem para o homem no meio do caminho. Num ponto específico, a religião do monoteísmo, no desenrolar da história, foi quem empunhou a bandeira da batalha contra eles. O Exemplo Sublime, então, causará uma mudança na quantidade do movimento, libertando-o de suas amarras e de seus limites artificiais, fazendo-o seguir avante. Quanto à mudança na forma que o Exemplo Sublime causa, é o dar a única solução objetiva à disputa e às contradições humanas. É dar aos sentimentos humanos a responsabilidade objetiva, por intermédio de sua crença no Exemplo Sublime e na sua conscientização d’Ele de forma objetiva, de sentimentos que aprofundam a responsabilidade perante o Exemplo Sublime pela primeira vez na história da humanidade, dinamizando-a no desenrolar da história. Por que? Porque o Exemplo Sublime é um fato e uma realidade patente, separada do homem. Com isso estipula a condição para a responsabilidade lógica. A responsabilidade verdadeira só pode ser fixada entre duas partes, entre Quem responsabiliza e quem é responsabilizado. Se não houver uma ente mais elevada do que a criatura responsável, e se esse responsável não crê que tem nas mãos uma parte mais elevada, não é possível que seus sentimentos de responsabilidade sejam sentimentos objetivos e verdadeiros. Por exemplo, aquele tipo ínfimo, aqueles deuses, aqueles anões que se engrandecem no desenrolar da história, no desenrolar da marcha humana, não passam, na realidade, como vimos e como analisamos, de invenção humana, e de produção humana. Significa que se constituem de uma parte humana que não gera sentimentos objetivos pela responsabilidade. Certamente, cria regras, costumes, ideologias, mas tudo isso é superficial. Toda vez que o homem encontra meio de se livrar desses costumes, ideologias e regras ele consegue se livrar. Quanto ao Exemplo Sublime para a religião monoteísta, para os profetas no passar da história, por ser considerado uma realidade efetiva, separado do homem, por ser um domínio superior ao homem, não pode ser invenção nem produção humana. Então consegue alcançar o sentimento da responsabilidade, e esse se incorpora, em toda a sua existência, com todos os seus sentimentos, pensamentos e afetos. Por isso, o Profeta tornou-se iinfalível no passar da história. Então, o Exemplo Sublime, devido à realidade, causa uma mudança drástica na marcha porque fornece o sentimento de responsabilidade e este não é uma questão acidental, não é uma questão secundária na marcha humana, mas é uma condição fundamental na possibilidade da aprovação da marcha e da apresentação da solução objetiva à contradição humana e à disputa humana, porque o homem vive em contradição, pela sua formação e criação, e porque é a mescla de um punhado de pó com um sopro do Espírito de Deus, Glorificado e Exaltado seja., como foi descrito pelos versículos alcorânicos. Então, ele é um conjunto de duas contrariedades que se juntaram e se mesclaram no homem. Um punhado de pó que atrai o homem para a terra, atrai para os desejos, para as tendências, atrai para tudo que a terra simboliza, de decadência e de degeneração. O Espírito de Deus, Glorificado e Exaltado, que Ele soprou no homem, o atrai para o lugar mais sublime dos atributos de Deus, e se caracteriza pelo conhecimento e pelo poder ilimitado, pela justiça ilimitada, a glória, a misericórdia e a punição, pelos atributos divinos. O homem situa-se na corrente da contradição, na corrente da disputa na proporção de seu conteúdo espiritual e sua constituição interna. Essa disputa e essa contradição que a natureza do homem possui, será abordada na história de Adão, se Deus quiser. A disputa humana possui uma só solução que pode ser imposta à contradição, é ao sentimento de responsabilidade, não ao sentimento derivado da disputa, pois este não soluciona a disputa, mas colabora na criação da contradição. Os sentimentos objetivos de responsabilidade não são garantidos a não ser pelo Exemplo Sublime que é a parte elevada. O homem sente, através dela que está entre as mãos de Um Senhor Onipotente, Oniouvinte, Onividente, Julgador, Punidor da injustiça, Recompensador da Justiça. Portanto, os sentimentos objetivos da responsabilidade que é a mudança qualitativa na marcha, é na realidade, a única solução para a contradição e para a disputa que a natureza e a formação humana ocultam. Portanto, o papel da religião monoteísta vem a ser a pavimentação do longo caminho, e a eliminação dos percalços através do desenvolvimento da dinâmica, quantitativa e qualitativamente, combatendo os tipos artificiais e ínfimos e repetitivas que desejam paralisar o movimento de um lado e despojá-lo dos sentimentos de responsabilidade do outro. Daí a luta dos profetas contra os deuses artificiais, como citamos, no desenrolar da história.
O versículo: “Ó humano, em verdade, esforçar-te-ás afoitamente por compareceres ante o teu Senhor. Logo O encontrarás!” (84:6) é certo que todos estão percorrendo um caminho, e que se encaminham na direção de Deus, Glorificado seja. O Altíssimo disse: “E a Ele retornareis.” (64:3).
E disse: “É certo que a Allah retornarão todas as coisas.” (42:53) .
Deus, Glorificado seja, esclareceu que o caminho bifurca-se formando dois caminhos. Ele disse: “Porventura não vos prescrevi, ó filhos de Adão, que não adorásseis Satanás, porque é vosso inimigo declarado? E que Me adorásseis, porque esta é a senda reta?” (36:60-61). Há um caminho reto e outro atrás dele. O Altíssimo mostrou que Ele está próximo de Seus servos, e que o caminho mais próximo d’Ele é o caminho de adoração e de súplica a Ele, de acordo com as Suas palavras: “Quando Meus servos te perguntarem por Mim, dize-lhes que estou próximo e ouvirei o rogo do suplicante quando a Mim se dirigir. Que atendam o Meu apelo e que creiam em Mim, a fim de que se encaminhem.” (2:186). Então, Deus diz, descrevendo os incrédulos: “Esses serão chamados de um lugar longínquo.” (41”44). Por isso, fica claro que há dois caminhos que levam para Deus, um próximo, que é o caminho dos crentes, e outro longínquo, que é o caminho dos outros. Há um caminho de baixo para cima, que é a senda reta, e há outro que leva para baixo, é o caminho dos abominados. Deus, o Altíssimo, disse: “Aquele sobre quem recair a Minha abominação, estará verdadeiramente perdido.” (20:81). A perdição, aqui, é o caminho que leva para baixo. Há também o caminho do extravio, de acordo com as palavras de Deus: “(Sabei que) aquele que permuta a fé pela incredulidade desvia-se da verdadeira senda.” (2:108), explicando que o desvio do caminho reto constitui em incredulidade ao dizer: “desvia-se”. Aqui, as pessoas se dividem em seus caminhos em três tipos:
1. Os que caminham para cima, e são os que crêem nos versículos de Deus e não se ensoberbecem de O adorarem.
2. Os que caminham para baixo, e são os abominados.
3. E os que se desviam do caminho, e são os extraviados.
Se soubermos disso, saberemos que a senda reta, que é a senda dos não extraviados, é uma senda que não abrange politeísmo, nem injustiça, nem extravio, quer oculta quer manifestamente; não soma cometimento de pecado ou negligencia quanto à obediência. Esse é o direito do monoteísmo, teórica e praticamente, pois não há uma terceira opção, e o que há depois da verdade a não ser o extravio? Aplicam-se a isso as palavras do Altíssimo: “Os crentes que não obscurecerem a sua fé com injustiças obterão a segurança e serão iluminados.” (6:82). Nelas há a garantia da segurança no caminho e uma promessa de plena orientação.
Em acréscimo ao que dissemos a respeito do significado da senda, verificamos que o Alcorão Sagrado utilizou a senda com significado material e sensivelmente, e as manifestações do Alcorão Sagrado são argumentos de acordo com as narrações fidedignas. Dentre os versículos que comprovam isso, citamos: “É verdade que tu procuras convocá-los à senda reta. Porém, certamente, aqueles que não crêem na Outra Vida desviam-se da senda.” (23:73-74). E o versículo: “E, se quiséssemos, ter-lhes-íamos cegado os olhos; lançar-se-iam, então, precipitadamente à procura da senda. Porém, como a veriam?” (36:66) Essa senda é a ponte que se estende sobre o Inferno, e não é possível ingressar no Paraíso sem transpô-la. Imagine – hipoteticamente – duas montanhas altíssimas e há entre elas um fogo abrasador e uma corda estendida entre seus cumes. Você está esperando a vez de transpor a distância equilibrando-se numa lisa e fina corda. Há uma enorme aglomeração e o sol próximo das cabeças, com calor insuportável, fazendo suar e causando aflições. Todos se empurrando para transporem a distância. Gritos e lamentações dominam o local, lançados por aqueles cujos passos cambaleiam, fazendo-os caírem no Fogo, um após o outro. Eis que um enorme depredador, de ferro, abrindo o seu caminho à partir do Inferno para penetrar no corpo de quem desrespeita os pais, outro penetrando o corpo de quem corta os laços consangüíneos, outro penetrando quem trai a confiança. Os depredadores os arrastam e os jogam no Inferno. Um outro grupo de pessoas, cada vez que avançar, os seus pés escorregam, fazendo-os se pendurarem na corda para tentarem atravessar novamente, com o fogo atingindo alguns deles. Uma cena que abala os corações de dentro do peito devido à visão do instante em que os pés escorregam, com o indivíduo prestes a se perder. Ele, então, segura a corda, com o fogo atingindo uma parte dele e queimando o seu corpo, e tenta, apavorado, erguer-se e dar mais um passo ou mais, e a cena se repete. Quanto tempo leva isso, quantas vezes escorregam os seus pés, quanto tempo ocorre entre o escorregão e o erguimento, com partes do corpo sendo alcançadas pelo fogo? Ser-lhes-á dada luz na medida de suas boas obras no mundo, como conta a tradição: “Ser-lhes-á dada luz na medida de suas obras. A alguns será dada luz do tamanho de uma enorme montanha, a outros será dada luz menor do que isso, a outros, ainda será dada luz, acima disso, e a outros mais será dada luz do tamanho da tamareira, na mão direita. A outros mais ainda será dada luz menor do que aquilo, na mão direta. O último a lhe ser dada luz será nos polegares de seus pés, uma hora iluminam outra não. Quando o seu pé fica iluminado ele caminha e quando apaga, ele pára. Ele, então, com outros, passarão pela senda. Isso é corroborado pelo versículo: “Uma luz fulgurará diante deles e pelas suas mãos direitas, e dirão: Ó Senhor nosso, completa-nos a nossa luz e perdoa-nos, porque Tu és Onipotente!” (66:8). A senda é tão estreita como o fio da espada. Há aqueles que passam como relâmpago, os que passam como o cavalgar de cavalo, os que passam caminhando, os que passam gatinhando e há os que passam pendurados sendo atingidos pelo fogo, consumindo uma parte e deixando outra. A utilidade da passagem é que o homem, na sua marcha fica sujeito a alguns tipos de castigo. Em outra expressão, a operações de coar e purificar para que seja expiação para seus pecados. A senda que irá percorrer e Deus fixar os seus pés, e permita que alcance o Paraíso é uma figura da orientação que você criou para si na vida terrena com a orientação de Deus para as obras íntimas e manifestas. O homem perfeito, que se dirige a Deus, orientado pela Sua Luz apressa a sua ressurreição apagando a luz de seu Inferno com a Luz de sua crença. A corda da salvação é a indicada pelo Mensageiro de Deus (S): “Deixo-vos duas coisas, O Livro de Deus e os meus familiares, se vos apegardes a eles jamais vos desviareis depois de mim.”
O Zamakhchari disse:
Muita dúvida e desentendimento há,
E todos alegam que seguem a senda reta
Refugio-me em ninguém mais além de Ti
E por meu amor a Ahmad e ‘Áli
Se um cão foi apreciado pelos donos da caverna
Como não posso amar os familiares do profeta?