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Os objetivos do Jejum no Islam

 Imprimir Evidências | 19/09/2008 A | A
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Deus Altíssimo, disse: “Ó crentes, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito aos vossos antepassados, para que temais a Deus.” (2:183).

O jejum é um culto antigo na história. Deus não deixou nenhum povo sem instituir-lhe o jejum. Nós não encontramos no Alcorão Sagrado uma especificação quanto à natureza desse jejum prescrito aos antepassados em suas regras. Porém, encontramos um texto a respeito do jejum no que Deus nos revela a respeito de Zacaria (a.s.):“Disse-lhe: Teu sinal consistirá em que não fales com ninguém durante três dias, a não ser por sinais” (3”41) e disse para Maria (a.s.): “Se vires algum humano, faze-o saber que fizeste um voto de jejum ao Clemente, e que hoje não poderás falar com pessoa alguma” (19:26). Na nobre Sunna encontramos numerosos ditos do Profeta Mohammad (s.a.a.a.s.). O Qummiy (r.a.) relatou: “Um homem perguntou a Ibn Abbás a respeito do jejum. Ele lhe disse: ‘Se quiser jejuar como Davi (a.s.) jejuava, ele era o mais cultuador das pessoas; ele jejuava um dia sim um dia não. Se quiser jejuar como o seu filho, Salomão (a.s.), ele jejuava três dias no início do mês, três no meio e três no fim. Se quiser jejuar como Jesus (a.s.), ele jejuava sempre e vestia roupas rudes. Se quiser jejuar como a sua mãe, Maria (a.s.), ela jejuava dois dias sim dois dias não. Se quiser jejuar como o Profeta (s.a.a.a.s.), ele jejuava três dias por mês. Costumava dizer: “Equivalem ao jejum de toda a vida.”

Foi narrado, também, que, no início de sua missão, ele jejuava tanto que se dizia que ele não quebrava o jejum nunca; e ficava sem jejuar durante tanto tempo que  se dizia que ele não jejuava nunca. Ele, então, deixou esse costume e passou a jejuar um dia sim um dia não. Também a esse costume ele deixou e começou a jejuar os três dias da lua cheia, dias 13, 14 e 15 de todo mês. Então, ele distribuiu em cada dez dias, duas quintas-feiras e uma quarta-feira entre elas. Depois disso, Deus, Altíssimo prescreveu o jejum do mês de Ramadan em cada ano. O que a ciência moderna fala sobre o jejum?

Os naturalistas descobriram que o homem não é o único ser que jejua, mas todas as criaturas vivas passam por um período de jejum voluntário, mesmo tendo excesso de comida na natureza ao seu redor.

Os animais jejuam, os insetos jejuam, e mesmo as plantas jejuam.
Dentre os animais, há aqueles que hibernam por dias ou meses seguidos, deixando de se movimentarem e se alimentarem. Dentre as aves há aqueles que permanecem no ninho sem se alimentarem em estações específicas, a cada ano. Alguns peixes se enterram no fundo do oceano ou do rio por um período específico sem se alimentarem. Os insetos, também, se abstêm do alimento. É curioso saber que essas criaturas quando saiam do jejum era com mais energia e vitalidade. A maior parte fica maior e com maior vigor. O animal renova a pele e o pêlo. O pássaro adquire novas penas, começando a se acasalar e a cantar. Os insetos saem para comerem e se multiplicarem rapidamente. Todas essas verdades fizeram os naturalistas considerarem o jejum um fenômeno natural. Isso significa, na linguagem científica, que o jejum é necessário para a vida humana e sua saúde, como o alimento, a respiração, o movimento e o sono.

A respeito disso, o Mensageiro de Deus (s.a.a.a.s.) disse: “Jejuai que tereis saúde.”
E disse: “O ser humano não enche uma vasilha pior do que o seu estômago, pois o homem necessita de pouco alimento para fortalecê-lo. Quando a pessoa se alimentar, deve reservar um terço para o alimento, um terço para a água e um terço para si mesmo.”

Há muitos ditos em que o médico de toda a humanidade demonstra a importância do jejum, principalmente quanto à saúde, uma vez que o estômago é o berço das doenças.”
O jejum é uma espécie de tratamento. É como se tomasse trinta comprimidos, uma vez por ano para fortalecer o estômago e filtrar o sangue, revigorando os tecidos do corpo. Deus diz a verdade quando diz: “Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade” (2:185).

A sabedoria social no jejum, como foi dito pelo Imam Al Báquir (a.s.) quando foi perguntado a respeito do jejum: “Deus prescreveu o jejum para que o rico sinta a aflição da fome e sinta pena do pobre.” Sim, um dos segredos sociais do jejum é uma lembrança prática quanto à fome dos famintos, a aflição dos aflitos, uma lembrança sem um sermão ou língua eloqüentes; uma lembrança que o jejuador ouve através da voz e do apelo do estômago. Aquele que cresceu no seio da riqueza, sem sentir o gosto da fome nem provar a amargura da sede, deve pensar que todos são iguais a ele. Que o que ele possui as outras pessoas também possuem. Que, enquanto ele continuar se alimentando do que gosta da carne de aves e de frutas, as outras pessoas não são privadas do pão e das hortaliças.

Sem dúvida que Deus fez do jejum um fenômeno para a igualdade total, da fome uma taxa obrigatória paga pelo rico e pelo pobre, praticada tanto pelos milionários como por aqueles que não possuem o pão de cada dia; para que o rico sinta que há estômagos vazios, e faça com que o coração do ser humano e do muçulmano sinta pena e dê para os necessitados.

Li para o Manfaluti, em seu livro, “As Especulações”: Passei na noite de ontem por um homem pobre e aflito e, ao vê-lo colocando a mão sobre o estômago, como se estivesse sentindo dores, fiquei com pena dele. Perguntei o que ele sentia e ele se queixou da fome. Aliviei-o dando-lhe o que podia para se alimentar. Deixei-o e fui visitar um amigo rico. Fiquei surpreso ao vê-lo com a mão no estômago, queixando-se das mesmas dores que o pobre se queixava. Perguntei o que ele sentia e ele se queixou do estômago. Disse: bom seria se aquele rico desse para o pobre o que sobra de seu alimento. Assim, nenhum dos dois se queixaria de dor alguma. Por isso, o ditado sempre diz a verdade: “O estômago do rico é uma vingança da fome do pobre.”

Não consigo imaginar que o homem é homem até vê-lo praticando caridade, porque não vejo diferença entre o ser humano e o animal além da prática do bem. Eu classifico as pessoas em quatro tipos:


1. O tipo que faz bem aos outros para aproveitar a sua prática para si mesmo. É o déspota opressor, que nada conhece da prática do bem além de escravizar as pessoas.

2. O tipo que pratica o bem para si mesmo e não o pratica aos outros. Esse é o ávido e voraz que deveria saber que é impossível que o sangue líquido se transforme em ouro concreto e mate por ele todas as pessoas.

3. O tipo que não faz o bem nem para si nem para os outros. Esse é o avarento insensato que faz o estômago passar fome para aumentar o seu caixa.

4. O tipo que faz o bem para si e para os outros. Não sei classificá-lo. Penso que seja aquele que o filósofo grego, Diogenes procurava. Quando foi perguntado por que ele caminhava com a sua lamparina acesa durante o dia, respondeu: “Estou à procura do homem.”

Por isso, vemos o Emir dos Crentes, Ali (a.s.) nos orientando para esses magníficos valores, ao dizer: “Se eu quisesse, teria tomado o caminho que me levaria aos (prazeres deste mundo como) puros méis, bons trigos, e roupas de seda; mas não é possível que minha paixão me leve a essas coisas, e que minha gula me leve a escolher boas comidas, enquanto que em Hijaz ou em Iamama talvez haja pessoas que não têm esperanças de obter um pão, ou que não têm uma refeição completa. Deveria eu deitar-me saciado enquanto ao meu redor houvesse estômagos famintos e sedentos? Ou deveria eu ser como dizia o poeta:

Constitui também uma doença (o fato de) que deites com a barriga cheia, Enquanto que em torno de ti há pessoas que anelam por uma tâmara, ou meia.

Deveria eu ficar contente com ser denominado Amirul Mominin (Emir dos Crentes) se não compartilhasse com o povo as asperezas do mundo? Ou deverei eu servir de exemplo nas agruras da vida? Não fui criado para que me mantivesse ocupado em deglutir boas comidas, como um animal amarrado cuja única preocupação é com a alimentação, ou como uma ave solta cuja única atividade é encher o papo. Estes enchem suas barrigas e seus papos com seus alimentos, e não sabem do propósito por trás disso.”

Dentre os objetivos principais do jejum é adquirir temor a Deus. Isso é descrito pelo Imam Assádik (a.s.) da seguinte forma: “É que Deus não sinta a tua falta onde te ordenou estar e não te encontre onde ele te proibiu estar.” Todo aquele que cumprir as obrigações e se afastar das proibições, estará temendo a Deus. Quando o jejuador praticar o seu jejum de forma elevada, o temor estará conquistado. O temor é uma longa e difícil ação educacional que necessita de escola. O jejum é uma escola divina para se temer a Deus. O temor é a colheita do mês do jejum, sim. É o temor que movimenta os corações, que pratica a obrigação em obediência a Deus, o desejo de satisfazê-Lo e a ambição de se conseguir o Seu Paraíso. O temor é que evita os corações de corromperem o jejum com a desobediência. O temor é o objetivo procurado pelos crentes com suas almas. O jejum é um dos caminhos de obtê-lo. Ele limpa da testa do crente as fadigas da vida, realizando o equilíbrio entre a matéria e o espírito, impulsionando-o para o local digno dele. O temor que emana tanto do coração como da língua, o temor que invade os sentimentos, as vontades, os órgãos e as asas. O temor que cria no coração do crente a confiança e a convicção, fazendo-o viver numa situação segura.

A expressão “para que” no versículo acima tem o sentido de preparação para o temor a Deus, obedecendo-O, observando-O e respeitando-O. Isso é representado pelo jejum. O crente se abstém, num tempo determinado, dos desejos do corpo e das suas necessidades, convicto de que se não fosse a observação de Deus quando se priva dos desejos, não teria paciência de se abster, ao ver as dádivas de Deus em alimento e bebida na sua frente. Ele, porém, não os consome, apesar de sua necessidade deles. Ele se abstém em obediência a Deus, para se aproximar d’Ele e pedir-Lhe a magnífica recompensa.

Aquele que comete o ilícito, enquanto estiver jejuando, sem dúvida que o jejum não causa nenhuma influência nele. Quem jejua e comete o pecado não pode ser incluído entre os que temem a Deus. O Profeta (s.a.a.a.s.) disse: “É nulo o jejum da pessoa que se priva apenas da comida e da bebida.” E disse: “É nula a vigília de quem só aufere com a sua vigília a falta de sono.” E disse: “Ao jejuar, devem jejuar contigo a audição, a visão, a língua da pronunciar calúnia; deves evitar prejudicar o vizinho e apresentar calma e serenidade. Não deves igualar entre o dia em que jejuas e o dia de deixar de fazê-lo.”

Alguém disse:

“Se a minha audição não jejuar,
Nem minha visão, nem a minha língua,
A minha sorte do jejum, então, é a fome e a sede.
E mesmo que diga que jejuei, não o fiz.”

Portanto, é dever do jejuador utilizar os seus órgãos como via para obter o temor a Deus.
Peço a Deus e a Sua generosidade que nos faça vestir o manto do temor a Ele, que nos oriente para a facilidade e nos afaste da dificuldade, pois Ele é Oniouvinte, e atende as súplicas de quem o faz. Finalizamos rendendo louvor a Deus, o Senhor do Universo.

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Al-Sayyed Sharif Sayyed
Teólogo e pesquisador em pensamento Islâmico, Diretor Geral da revista Evidências
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COMENTÁRIOS
 
Edmundo 12/19/2008 7:16:09 AM
Este é o meu primeiro contato com os ensinamentos do Alcorão. Tão Cgheio de Deus e de sua Sabedoria. Sou Católico, e sinto ja algum tempo que é possivel a convivencia pacifica entre as Religiões. Amamos o mesmo Deus, não é possivel continuar com tantas diferenças.

normando paes leme de castro 12/28/2008 4:08:08 PM
como achei importante o jejum feito com sabedoria e fé.

eduarda 4/24/2009 10:10:36 AM
se esqueseram da comida nao sabem nem fazer um resumo direito

eu 5/24/2009 10:09:49 PM
Muito bonito, poucos conseguem entender o profundo significado lindo.

Cosme Nogueira Pereira 5/7/2010 7:39:01 PM
O temor a DEUS é superado pelo amor que ele nos oferéce JEJUAR é uma demonstrçaõ de amor ao DEUS SUPREMO é o nosso desejo de estarmos mais próximo dele

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