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EXEGESE DO ALCORÃO (Surata Al-Fatiha)

 Imprimir Revista Evidências | 16/07/2008 A | A
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Sura[1] Al-Fátiha:

 

1.   Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

2.   Louvado seja Deus, Senhor do Universo.

3.   O Clemente, o Misericordioso.

4.   Soberano do Dia do Juízo.

5.   Só a Ti adoramos e só de Ti imploramos ajuda.

6.   Guia-nos à senda reta.

7.   À senda dos que agraciastes, não à dos abominados, nem à dos extraviados.

 

 

Explicação do conteúdo desta sura:

 

Na realidade, cada um dos sete versículos acima, indica uma verdade relevante. Vejamos:

 

1- Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso:

É o que um muçulmano deve pronunciar no início de qualquer ato. Ensina-nos a socorrer-nos em Deus, e invocar-Lhe ajuda.

 

2- Louvado seja Deus, Senhor do Universo:

Significa que toda graça e toda proteção têm como fonte Deus, Altíssimo; e chama a atenção de que a origem de todas essas dádivas também provém da essência de Deus, Altíssimo.

 

3- O Clemente, o Misericordioso:

Isto quer esclarecer que a criação de Deus, Sua proteção e Seu julgamento baseiam-se no princípio da clemência e da misericórdia, e este princípio representa o sustentáculo principal da ordem e da proteção do mundo.

 

4- Soberano do Dia do Juízo:

É preparação para o retorno[2] e para o dia do Juízo Final, bem como para o julgamento de Deus, o Poderoso Tribunal.

 

5- Só a Ti adoramos e só de Ti imploramos ajuda:

Quer mostrar a unicidade na devoção e a unicidade no pedido de ajuda, pelas causas.

 

6- Guia-nos à senda reta:

Esclarece a necessidade dos humanos e seus fortes desejos de serem guiados, e confirma a veracidade de que todos os modos de guiar partem apenas de Deus, Altíssimo.

 

7- À senda dos que agraciaste; não à dos abominados nem à dos extraviados:

O último versículo desta sura aponta a peculiaridade da senda reta, distingue entre a senda dos que foram agraciados por Deus e a senda dos extraviados que mereceram Sua ira.

Podemos dividir esta sura, por outro lado, em duas partes: uma relativa à louvação de Deus e outra que abrange as necessidades do servo. O Hadice Sagrado do Mensageiro de Deus (S.A.A.A.S.), diz: “Deus, exaltado seja, disse: Dividi a Abertura do Livro (Al Fátiha) entre Eu e Meu servo: a metade pertence a Mim e a outra pertence ao Meu servo, e concederei a ele o que pedir.” 


 

Local da revelação desta sura:

 

Pelo que se sabe, alguns afirmam que esta sura foi revelada em Meca, outros afirmam que foi em Medina. Porém, o correto é a primeira afirmação, e duas questões apontam para isto.

 

Primeira questão: a Sura Al Fátiha (Abertura do Livro) é a designada como: “os sete versículos reiterativos”. Foi mencionado na sura chamada Al-Hijr que “os sete versículos reiterativos” é uma sura que já tinha sido revelada anteriormente. Disse o Altíssimo: “Em verdade, temos-te agraciado com os sete versículos reiterativos assim como com o magnífico Alcorão. (Al-Hijir, versículo 87).

 

Tendo em vista que a sura Al-Hijr foi revelada em Meca, então, certamente que a sura Al Fátiha foi revelada também em Meca.

 

A segunda questão: as orações foram instituídas aos muçulmanos em Meca e a conduta na oração é necessária para todos os mulçumanos. Não há como praticar a oração sem a sura “Abertura do Livro”. O profeta (S.A.A.A.S.)[3] declarou: “Não há oração sem a sura Al Fátiha (Abertura do Livro).

 

Outros disseram que a sura foi revelada duas vezes; uma em Meca e outra em Medina, devido à sua importância. Isto também é provável, mesmo sem uma referência específica. Não é improvável que seja por isto que esta sura é chamada “os versículos reiterativos”; é também provável que seja em função da obrigatoriedade de a mesma tenha que ser recitada duas vezes em cada ato de oração: uma vez na primeira inclinação e outra na segunda inclinação.

 

Algumas suwar (plural de sura) e versículos foram denominados mequenses (relativo à cidade de Meca) e outras medinenses (relativo à cidade de Medina), porque a Mensagem do Profeta ocorreu em duas etapas. Uma anterior à Hégira[4], denominada mequense, e uma posterior à Hégira, denominada medinense. Em função disso, é necessário dividir o Alcorão Sagrado em duas épocas para seguir os períodos da Mensagem Profética de Mohammad (S.A.A.A.S.), isto é: a etapa mequense e a etapa medinense. É uma divisão elucidativa porque leva em consideração o tempo e o local da revelação.

 

Os pesquisadores têm três opiniões a respeito disso:

a) que as suwar mequenses foram mesmo reveladas em Meca,

b) e o que é mequense foi revelado antes da Hégira,

c) o que é mequense foi um discurso para o povo de Meca e o medinense foi um discurso para o povo de Medina.

 

Para cada uma dessas opiniões há uma justificativa histórica. A primeira opinião considera o local da revelação sem, porém, levar em conta a ocorrência da Hégira. Assim, então, o mequense é o que foi revelado em Meca mesmo que tenha ocorrido após a Hégira; e o medinense é o que foi revelado em Medina, porém, não fora de seus limites. Portanto, o local é parte da história no que diz respeito a esta questão.

 

A segunda opinião, e a mais célebre, leva em consideração o tempo em função da ocorrência da Hégira. O tempo é, também, parte da história, mesmo não sendo propriamente a história.

 

A terceira opinião leva em consideração as pessoas. O discurso para o povo de Meca, é mequense; o discurso para o povo de Medina, é medinense. Note-se que as pessoas são elementos da história e sua matéria principal.

 

Porém, a opinião reconhecida entre os sábios e os exegetas é a segunda. Eles consideram a Hégira como o evento divisório na história da Mensagem Islâmica. Então, mequense é o que foi revelado antes da Hégira, mesmo que neste período tenha sido um discurso dirigido ao povo de Medina e mesmo que tenha sido revelado nas proximidades de Medina como, por exemplo, nas localidades de Mina ou Arafat ou distante dela, como o que foi revelado em Ta’if ou Jerusalém, e mesmo que o governo tenha sido medinense.

           

Medinense é o que foi revelado após a Hégira, mesmo que tenha sido um discurso dirigido ao povo de Meca, ou em suas proximidades, como o que foi revelado em Badr, em Uhud e em Sale‘ ou, ainda, distante dela, como o que foi revelado em Hudaibiya ou em Meca, na Peregrinação do Adeus, mesmo que o governo tenha sido mequense.

 

Na verdade, nossos sábios antigos dedicaram-se a isto de maneira brilhante e compatível com a grandeza do Alcorão. Consideraram que levar em consideração o tempo e o local para o conhecimento da revelação do Alcorão é um dos mais dignos procedimentos para o conhecimento do mesmo. Chegaram a considerar ilícito, do ponto de vista religioso, alguém falar sobre o Livro de Deus se não soubesse distinguir o lugar, ou a localidade, ou a época onde houve a revelação.

           

Tanto os sábios como os que estabeleceram os textos ficaram seguros com identificações e particularidades que distinguem todas as suwar, tanto mequenses como medinenses. Distinguiram as mesmas sob este entendimento. Suas opiniões a respeito, são regras que, em sua maioria, passíveis de concordância, porém, não são absolutas, mas não excluem umas às outras.

 

Sobre o conhecimento das suwar (capítulos) mequenses disseram o que segue:

 

1-   Toda sura que tem a palavra “não” (kalla) é mequense.

2-   Toda sura que tem “Ó humanos” é mequense. Aqui, porém, a regra não é geral; há várias Suwar medinenses que contêm “Ó humanos”.

3-   Toda sura que menciona a palavra prostração é mequense.

4-   Toda sura que contém narrativas de profetas e de povos do passado é mequense, exceto a sura “Al-Bakara”.

5-   Todas as suratas que contém a história de Adão e de Iblis (satã) é mequense, exceto a sura “Al-Bakara”.

 

 

Quanto às suwar medinenses, nos legaram o que segue:

 

1-   Toda sura que contém “Ó crentes” é medinense. Há controvérsia quanto à sura Al-Haj.

2-   Toda sura que contém detalhamento das obrigações, ou leis islâmicas (SUNNA); ou que impõe limite, julgamento e leis, é medinense.

3-   Toda sura que expõe sobre os hipócritas, é medinense, exceto a sura al-‘Ankabut.

4-   Toda sura que contém permissão para o jihad ou menção a este, ou, ainda, explicação sobre suas determinações, é medinense.

5-   Toda sura que contém debate com os Adeptos do Livro[5] ou polêmica com eles, é medinense.   

 

Na verdade, estas regras podem ser consideradas como investigativas sobre o que foi considerado pelos sábios a respeito do Livro de Deus (o Alcorão).

 

 

 

Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

 

A frase acima é denominada “Basmalah”. O que a Basmalah representa no programa educacional islâmico? Será que pretende que seja uma expressão alcorânica (relativa ao Alcorão) para que os fiéis a repitam em suas recitações e quando mencionam o nome de Deus?  É somente isso? Ou será que há algo mais profundo? Talvez necessitemos do próprio Alcorão para explorar alguns versículos que se reportem a Deus ao longo do tempo e da história.

 

Vejamos: “E menciona o nome do teu Senhor, de manhã e à tarde” (Al-Insán, 25), para que a pessoa inicie e termine suas atividades em nome de Deus; sendo isto vivificação de profundo sentimento no período em que o ser humano se dirige a Deus. É uma abertura do ser humano para a responsabilidade em sua vida a partir de si mesmo.

 

É, também, para despertar o sentimento espiritual, vivenciado pelo homem quanto à presença de Deus nele e não negligenciá-Lo. “E recorda-te do teu Senhor intimamente, com humildade e temor, sem alterar a voz, ao amanhecer e ao entardecer, e não sejas um dos tantos negligentes” (Al-A‘ráf, 205). “Porém, recorda-te do teu Senhor e consagra-te integralmente a Ele”. (al-Muzamil, 8).

Assim Deus quis que nos lembremos d’Ele ao suplicarmos o Seu nome na prática da caridade e da oração: “Glorifica o nome de teu Senhor, O Altíssimo” (Al-A‘la,1); e (Bem-aventurado aquele que se purificar” (Al-A‘la, 14); “E mencionar o nome do seu Senhor e orar!” (idem, 15). E, ainda, Deus quis que O lembremos ao iniciarmos a recitação (do Alcorão) para que esta seja em Seu nome . “Lê, em nome de teu Senhor, que criou”  (Al- ‘Alaq, 1).

 

Foi determinado, também, que a carne do animal abatido para o consumo[6] não se torna lícita a não ser que seja mencionado sobre o animal o nome de Deus na hora de seu abate. Vejamos: “Não comais aquilo (concernente a carnes) sobre o qual não tenha sido invocado o nome de Allah, porque isso é uma profanação.” (Al-An‘ám, 121). Como se vê, os versículos que mencionam Deus são diversificados tanto quanto à menção de Deus, como aos que mencionam Deus e quanto ao grau de espiritualidade. Este grau é proporcional ao grau de fé do muçulmano e o respectivo grau que este consegue com Deus, Louvado e Altíssimo.

 

 

Uma exegese atribuída ao Imam al-Hassan al-‘Askari (A.S.)[7] afirma: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”, ou seja, auxilio-me em Deus em todas minhas questões, Que é o Único merecedor de adoração, Que auxilia quando é solicitado, que atende a súplica quando é feita. Um certo homem perguntou ao Imam Al-Sádiq (A.S.):  Ó filho do Mensageiro de Deus! Diga-me o que Deus é, pois, muitos explicaram e me deixaram em dúvida. Disse o Imam (A.S): “Já estiveste numa embarcação sozinho?” O homem respondeu: “sim”. Disse-lhe: “Essa embarcação quebrou e não havia outra para socorrer-te, e nadar não salvaria?” Respondeu: “sim”. Perguntou-lhe novamente: “Nesta situação, teu coração se voltou para algo que tem o poder de te salvar desta dificuldade?” O homem respondeu: “sim”. Disse, então, o Imam al-Sádiq (A.S.): “Este é Deus, Que tem o poder de salvar onde não há outro salvador, e de assistir onde não há outra assistência”.

 

A conclusão é que esta expressão sagrada, a Basmallah, é um símbolo específico dos mulçumanos, e com a qual iniciam suas palavras e suas atividades.

 

O significado deste versículo é que você inicia suas atividades apoiando-se em Deus, cuja misericórdia abrange todas as coisas, sabendo, você mesmo, que tudo que faz, o faz em seu nome e nome de nenhum outro além d’Ele.

Assim sendo, o primeiro versículo revelado por Deus a Seu nobre Profeta Mohammad (S.A.A.A.S.), era uma ordem para o Mensageiro, isto é, que inicie uma grande tarefa em nome de Deus: “Lê em nome de Teu Senhor” (Al-‘Alaq, 1).

 

Quando Noé (A.S.) entrou na embarcação naquele assombroso dilúvio, enfrentando ondas revoltas e todo tipo de perigo para concretizar seu objetivo, pediu a seus seguidores que repetissem a Basmallah. Nesta oportunidade, Deus disse: “Embarcai nela; que seu rumo e sua ancoragem sejam em nome de Deus”. (Húd, 41). Aquela viagem, repleta de perigos, terminou em paz e com bendição, como lembra o Alcorão Sagrado: “Ó Noé, desembarca, com a Nossa saudação e a Nossa bênção sobre ti e sobre os seres que (advirão dos que) estão contigo” ( Húd, 48).

           

 

Ao escrever uma carta à rainha de Sabá, Salomão iniciou com a Basmallah: “É de Salomão (e diz assim): Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.” (An-Naml, 30).

 

A partir deste princípio iniciam-se todas as suwar do Alcorão, isto é, com a Basmallah, a fim de concretizar seu objetivo fundamental; guiar a humanidade para a felicidade, com êxito, desde o começo até o fim de sua caminhada.

 

Apenas a sura At-Tauba não começa com a Basmallah porque  inicia com declaração de guerra aos incrédulos de Meca e renegadores da fé. A declaração de guerra não é compatível com a descrição de Deus, como o Clemente, o Misericordioso.

 

Quando dizemos “em nome de Deus”, isto significa que iniciamos em nome de Deus; o nosso iniciar em nome de Deus é um informe acrescido. O nome de Deus deriva de “Alteza, Elevação”, significando grandeza, excelência, e a partir desses nomes foi dado também o nome às plantas que crescem e se elevam. E desse mesmo nome derivou o nome do céu, em função de sua elevação e altura. Foi dito que esse nome também deriva de “sublime” que é um signo. E realmente é um signo para quem lhe foi atribuído.

O nome é sujeito na linguagem, e este expressa e indica uma certa noção independente porque, neste caso, é derivado de “sublime, elevado” que, por sua vez, é um signo. Isto representa uma transferência lingüística. Foi transferido a partir do signo de alguma coisa para um signo particular, para uma palavra independente que se quer indicar.

 

Depois da palavra que indica um nome, passemos à palavra Deus (Allah, em árabe). Esta é a palavra mais abrangente para indicar “O Senhor do Universo”.

 

Cada nome atribuído a Deus no Alcorão Sagrado e em outras fontes da cultura islâmica, indica um aspecto específico dos atributos de Deus. O único nome que abrange todos os atributos e palavras divinas e reúne todos Seus atributos de excelência e beleza é Allah (Deus).

 

Por isso os outros nomes foram considerados atributos da palavra Deus, como, por exemplo: O Indulgente, o Misericordioso, o Oniouvinte, o Onisciente, o Onividente, o Sustentador, o Criador, o Onifeitor, o Formador (que dá as formas).

 

A palavra Deus (Allah), e somente ela, reúne o sentido de todas as outras. Em função disso, essa única palavra foi utilizada num versículo do Alcorão para expressar vários atributos, ou seja: “Ele é Deus; não há mais divindade além d’Ele, o Soberano, o Augusto, o Salvador, o Pacífico, o Zeloso, o Poderoso, o Compulsor, o Supremo! Glorificado seja Deus por tudo quanto (Lhe) associam!”

(Al-Hachr, 23).

 

Uma das provas da abrangência deste nome é que a demonstração de fé e a manifestação da Unicidade de Deus só se realizam mediante a pronúncia da frase “não há outra divindade além de Deus”. Outras frases como, não há divindade a não ser o Onipotente, ou não há divindade além do Criador, ou não há divindade além do Sustentador, não preenchem, para este caso, o propósito da demonstração de fé e da Unicidade de Deus. 

 

É por este motivo que as outras religiões afirmam que a adoração dos muçulmanos é “em nome de Deus”. Na realidade, esta denominação abrangente é específica dos muçulmanos.

 

Há quem diga que a expressão “não há outra divindade além de Deus” é expressão da Unicidade de modo geral, e a expressão “não há outra divindade além d’Ele”, é expressão de Unicidade específica de “não há Ele senão Ele”, é, ainda, uma expressão de maior especificidade. É isto que o Alcorão determinou: Ele, o Altíssimo, afirma: “E não invoques, à semelhança de Allah, outra divindade, porque não há mais divindade além d’Ele! Tudo perecerá, exceto o Seu Rosto” e, em seguida disse: “Tudo perecerá,”. (Al-Qasas, 88). E, continuando este mesmo versículo, tem-se “exceto o Seu Rosto.”, quer dizer apenas Ele (não perecerá). Foi mencionada a expressão “não há outra divindade além d’Ele” e a expressão “não há divindade senão Ele”. Isto mostra que o foco da unicidade é esta palavra.

 

Em sua origem, a palavra “o Clemente” é um atributo derivado de misericórdia, cujo significado relativamente a Ele é a beneficência e relativamente a outro, significa a sensibilidade do coração. A utilização da palavra “Clemente” passou a ser utilizada para a Essência Sagrada até que se tornou um dos sublimes atributos de Deus. Disse o Altíssimo: “Dize-lhes: Quer invoqueis a Deus, quer invoqueis o Clemente, não importa o nome que o invoqueis, sabei que d’Ele são os mais sublimes atributos!” (Al-Isrá’, 110).

 

Assim sendo, você pode considerar a palavra “o Clemente” como atributo de Deus quanto à origem, ou como substituição quanto à transposição  

 

Tem-se, ainda, que “o Misericordioso” é um atributo derivado da misericórdia pelo crente em particular, e a clemência é um atributo derivado da ampla misericórdia tanto para com o crente como para com o incrédulo.

 

De acordo com algumas fontes, esse sentido era aceito pelo Imam Al-Sádeq (A.S.) ao dizer: “O Clemente é um atributo no sentido geral, e o Misericordioso é um atributo no sentido particular”. Porém, não há fundamentos nesta afirmação, pois contraria o Livro Sagrado (o Alcorão). Neste, utiliza-se a palavra o Misericordioso sem, porém, dirigir-se especificamente aos crentes, ou ao Juízo Final. No livro Sagrado há: “…porque é, para com os humanos, Compassivo, Misericordioso”. (Al-Haj, 65).

 

E o Altíssimo disse: “…e castiga os hipócritas como Lhe apraz; ou então os absolve, porque Deus é Indulgente, Misericordioso”. (Al-Ahzáb, 24).

 

Há outros versículos, súplicas e relatos como, por exemplo: O Clemente nesta vida e na outra; Misericordioso das duas vidas. Há um outro aspecto citado por antigas fontes islâmicas e, talvez, seja o mais próximo da noção (desejada): este afirma que os dois atributos se distinguem ao máximo, vejamos!

 

O Clemente é um atributo da essência e é o princípio da misericórdia e benevolência. “O Misericordioso” é um atributo de ação que indica a chegada da misericórdia e benevolência a quem lhe foi concedida a graça. O que corrobora isto, é que “o Clemente” é mencionada no Alcorão somente quando é acompanhada de atributos; como é o caso dos nomes da essência. Vejamos: “Quer invoqueis a Deus, quer invoqueis o Clemente”. (Al-Isrá’,110);  “...aqueles que negam o Clemente” (Az-Zukhruf, 33); “…por terem atribuído um filho ao Clemente”. (Mariam, 91); “…temo que te atinja um castigo do Clemente”. (Mariam, 45) ;  “O Clemente; ensinou o Alcorão”.(Ar-Rahmán, 1-2) ; “Do Clemente, Que assumiu o Trono”.  (Tá-há, 5). Há também outros versículos a respeito disse

           

Quanto à expressão “o Misericordioso”, seu uso ficou acentuado  como atributo concreto, mencionada e ligada a quem foi concedida a graça, como por exemplo: “... porque é Compassivo e Misericordioso para com a humanidade”. (Al-Baqara, 143); “...Ele é Misericordioso para com os crentes”. ( AlAhzáb, 43); “... Ele é o Indulgente, o Misericordioso”. (Yunús, 107).

 

 Por outro lado, a clemência foi citada inúmeras vezes sob o seguinte aspecto: “...Minha misericórdia abrange tudo”. (Al-A‘ráf, 156); “...então, vosso Senhor vos agraciará com a Sua misericórdia”. (Al-Kahf,16).

 

Não há no Alcorão alguma abordagem sobre a “clemência” de Deus. Temos a possibilidade de nos expressar sobre este aspecto no sentido de que a palavra “O Clemente” é um atributo de Sua essência, enquanto “o Misericordioso” representa um atributo do movimento, dinâmica da misericórdia sobre Suas criaturas. Talvez isso ocorra ao intelecto em função de seu uso, e Deus é O Onisciente.

  


 

[1] Surat: palavra árabe que indica cada um dos 114 capítulos (suratas) do Alcorão Sagrado.  ( N.T.).

[2] Retorno: é uma referência à ressurreição.

[3] S.A.A.A.S. é uma sigla que, a partir do árabe, significa “que a bênção e a paz sejam sobre o Profeta Muhammad e sobre sua família.

[4] Hégira. É a migração do Profeta Muhammad de Meca para Medina, ocorrida em 622 da Era Cristã. (N.T.)

[5] Adeptos do Livro:é uma referência aos judeus e cristãos. Os muçulmanos os consideram como povos que têm um livro sagrado. (N.T.).

[6] Sacrifício: é o modo de abater um animal para que sua carne se torne lícita para o consumo do ponto de vista islâmico. (N.T.).

[7] A.S. Do árabe Alaihissalam, ou Alaihassalam, isto é: Que a paz esteja com ele ou com ela.

 
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Al-Sayyed Sharif Sayyed
Teólogo e pesquisador em pensamento Islâmico, Diretor Geral da revista Evidências
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COMENTÁRIOS
 
hannya 8/4/2008 12:34:43 PM
Muito completa e detalhada a exegese, porém faltou fazer a exegese espiritual da FATIHA!!!

fateha 7/30/2009 12:23:16 PM
O texto é muito belo e tocante.Obrigada.

Maria de Fátima josé 9/27/2009 3:02:54 PM
Estou a fazer um trabalho sobre a sura 4-136(sura das mulheres) e não estou a conseguir informação, podia ajudar-me? muito obrigada

Rosana Cavalcanti 10/10/2009 9:38:57 AM
Gostaria de conhecer mulheres muçulmanas aqui no Brasil para conversar sobre a religião.

Loris Tivio Guglielmoni 11/19/2011 7:32:44 AM
A Suráh de Húr é a mesma que a Suráh Al-fatiha?

E você, o que acha disso?
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