Finanças islâmicas pt-4 (Evolução)

Receita de Finanças islâmicas pt-4 (Evolução)

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[Página Anterior] ...Até a alguns anos, todo o sistema bancário do Sudão era islâmico, regido por regras da Xaria. Depois do acordo de paz entre Cartun e o SPLA (não-muçulmano), em 2005, o sistema bancário convencional voltou a ser a norma no sul do Sudão.

Assim, temos, hoje, que só o Iran, no mundo, ainda é Estado cujo sistema bancário é completamente operado por princípios islâmicos (o demônio do juro, dizem, só vence se tomador e emprestador são vistos como entidades distintas e opostas. Dado que todos os bancos iranianos são nacionalizados, a taxa de juros dos empréstimos interbancários é considerada quase como 'assunto de família'). Todos os demais Estados de maioria islâmica mantêm sistemas bancários mistos; em todos os casos, os Bancos Centrais operam pelas regras bancárias convencionais.

A conversão à regra da Xaria, no que tenha a ver com bancos, seria ruinosa para uma cidade rica, como Dubai, ocupada pela finança ocidental e pelo estilo de vida 'convencional' de muitos expatriados. No final do ano passado, os juros mensais de um cartão de crédito Platinum Visa emitido pelo National Bank of Dubai chegavam a 2,99%, enquanto a dívida pública de Dubai equivalia a 148% do PIB – duas realidades absolutamente inadmissíveis para um muçulmano crente. Dubai vive na corda bamba desde setembro, mas mesmo em melhores tempos, a família reinante, como o governo da Malásia, sempre estimulou financiamentos construídos por princípios da Xaria em vários projetos financiados pelo Estado. Os regimes do Golfo estão muito atentos às mudanças da moda, que levaram a fazer aumentar, em todo o mundo, a demanda por produtos bancários e financeiros aprovados pela Xaria.

Atento, também, está o setor privado. Muitos instrumentos inovadores construídos por princípios da Xaria têm sido teorizados, alguns, já implantados, por empresas cujos interesses em países islâmicos é muito recente, entre as quais o Deutsche Bank e o Banco HSBC. Sua ideia é conseguir acesso às grandes quantidades de dinheiro que circulam no Golfo: ambição que coincide com a dos vários donos do mesmo dinheiro, que o querem fazer render.

A diferença entre o que se vê hoje e o que se viu em 1973 não é diferença de quantidade: a liquidez no Golfo voltou a ser alta, em parte por causa dos preços do petróleo, em parte por causa dos bilhões de dólares repatriados do Ocidente por milionários preocupados depois do 11/9, mas, também, porque o renascimento islâmico já faz muitos muçulmanos duvidar da sabedoria de seus investimentos convencionais. A difusão dos produtos financeiros construídos por princípios da Xaria abriu novas rotas para aquele dinheiro. Por algum tempo, o dinheiro tomou o rumo da Malásia e, até o final do ano passado, muito dinheiro correu para lá. A sede por mercados mundiais ainda é forte, mas, agora, parece buscar atender mais de perto, também, a vontade de Deus.

Muitas das proibições que dão forma à vida dos muçulmanos parecem ... [Próxima Página]

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