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A morte do poeta da palestina Mahmoud Darwish

 Imprimir Arabesq | 10/08/2008 A | A
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Faleceu neste sábado, 9 de agosto, o grande poeta palestino Mahmoud Darwish, após uma cirurgia no coração realizada no estado de Texas nos Estados Unidos.

Após a divulgação de seu falecimento, o Presidente Palestino Mahmoud Abbas declarou luto oficial na Palestina por três dias, velas foram acessas em Ramallah, homenageando o poeta que dedicava lindas poesias para a palestina, a terra onde será enterrado.

Darwish é um dos poetas mais importantes que deram voz à causa palestina no mundo, e um dos poetas que contribuíram para construir a identidade da poesia árabe moderna.

Mahmoud nasceu em 1941 na aldeia palestina de Barue, que foi destruída por Israel em 1948 para construir em seu lugar uma aldeia agrícola judaica com o nome de Ahihud.

Depois da Catástrofe “Al-Nakba”, sua família se refugiou no sul do Líbano por um ano, depois ele e sua família voltaram escondidos para a Palestina.

Morou na pequena aldeia chamada Der Al-Assad na região de Al-Jalil, em seguida ele e sua família se estabeleceram na aldeia Al Jadida, próxima a sua terra natal.

Darwish se locomoveu por entre as aldeias de Al-Jalil para estudar o ensino médio, em seguida, viveu na cidade de Haifa onde aderiu ao Partido Comunista, então composto por judeus e árabes.

Trabalhou no Jornal Al-Etihad e na revista Al-Jadid, que pertenciam ao partido comunista na cidade de Haifa. Neste período começou a escrever poesias e ficou conhecido na Palestina como “um poeta da resistência”. Sua poesia irritava os Israelenses, por isso a policia israelense passou a cercar qualquer aldeia que lhe organiza-se uma noite de poesia. Uma de suas poesias de nome “Atravessando as palavras andantes?” levantou um forte debate no Parlamento Israelense.

Darwish foi submetido a perseguição sendo preso três vezes pelos israelenses nos anos (1961 e 1965, 1967) antes de ser submetido a prisão domiciliar devido as suas declarações e atividades políticas.

Ele foi o primeiro entre um grupo de poetas palestinos que escreveram de dentro de Israel, na época em que a Primeira-Ministra Golda Meir dizia que: “Não há nenhum povo palestino”.

Em 1972, deixou Haifa e foi para o Egito, onde ingressou na Organização de Libertação da Palestina, e de lá se mudou para Beirute.

Após a invasão israelense ao Líbano em 1982, e a saída de militantes palestinos do Líbano, ele foi para o Cairo, depois para a Tunísia e em seguida a Paris.

Em 1993 Darwish se demitiu do Comitê Executivo da OLP, em protesto contra o acordo de Oslo, dizendo que: "não é justo (o acordo), pois não prevê o mínimo de identidade aos palestinos”.

Nos meados da década de noventa, Mahmoud Darwish retornou à Faixa de Gaza, optando depois por permanecer em Ramallah na Cisjordânia e criticou os combates entre os palestinos no poema, "Você agora é outro", que foi publicado em junho de 2007.

Darwish obteve vários prêmios, incluindo o Premio Lotus em 1969, o Premio do Mar Mediterrâneo em 1980, o Troféu Revolução Palestina em 1981, o premio da Europa para a poesia em 1981, o premio Ibn Sina na União Soviética em 1982, o prêmio Lenin na União Soviética em 1983, o Prêmio Príncipe Claus (Holanda) em 2004, o premio Al Owais Cultural que foi dividido com o poeta Sírio Adonis, em 2004.

Darwish publicou diversos livros de poesia entre eles: Carteira de identidade, Pássaros sem asas, Folhas da Azeitona, Meus amigos não morram, Apaixonado da Palestina, As aves morrem na Galiléia, Elogio da sombra superior, Palco de Estado de Sitio e Você agora é outro.

Mahmoud Darwish dedicou muitos poemas à causa palestina, a resistência e ao seu povo refugiado e injustiçado. Mesmo tendo uma vida difícil ao lado dos outros palestinos, conseguiu escrever sobre o amor, a esperança, o ser humano e a vida.
Escreveu tambem sobre a palestina, suas cidades e aldeias, sobre a oliveira e sobre a Laranja de Iafa.

Darwish derrotou a morte por duas vezes com as duas operações graves no coração, mas não resistiu a terceira, porém não permitiu que a morte o vencesse, Mahmoud Darwish prevalecerá vivo nos corações e lembranças de todos os palestinos e os árabes.

Uma de suas poesias mais marcantes é a Carteira de Identidade:

Registre-me
Sou Árabe
O numero de minha identidade é cinqüenta mil
Tenho oito filhos
E o nono... Virá logo depois do verão
Vais te irritar por acaso?

Registre-me
Sou árabe
Trabalho com meus companheiros de luta
Em uma pedreira
Tenho oito filhos
Arranco das pedras
O pão, as roupas, os cadernos
E não venho mendigar em tua porta
E não me dobro
Diante das lajes de teu umbral
Vais te irritar por acaso?
Registre-me
Sou Árabe
Meu nome é muito comum
E sou paciente
Em um país que ferve de cólera
Minhas raízes
Fixadas antes do nascimento dos tempos
Antes da eclosão dos séculos
Antes dos ciprestes e oliveiras
Antes do crescimento vegetal
Meu pai... da família do arado
E não dos senhores do nujub
E meu avô era camponês
Sem árvore genealógica
Minha casa
Uma cabana de guarda
De cenas e ramagens
Satisfeito com minha condição
Meu nome é muito comum
Registre-me
Sou árabe
Sou árabe
Cabelos... negros
Olhos... castanhos
Sinais particulares
Um kuffiah e uma faixa na cabeça
As palmas ásperas como rochas
Arranharam as mãos que estreitam
E amo acima de tudo.

Do eterno Mahmoud Darwish

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COMENTÁRIOS
 
Estéfani José Agoston 23/04/2009 09:49:48
No espírito desse poeta, um abraço e respeito. Tantos desencontros entre homens que simplesmente querem viver, amar, trabalhar. Religião contra Religião; extremistas contra pacifistas; destruidores contra construtores. Quanta intolerância semeada por aqueles que só querem poder; poder que se obtido, utilizam para jungir outros que só querem viver.

Raimundo Lonato 25/08/2009 22:44:08
Mahmoud Darwish é um dos legítimos representantes da poesia palestina,pois se faz representar a alma da sua arte, no poema Identidade. O sonho do povo palestino é ser dono do próprio destino e ganhar uma identidade cultivando suas tradições e ritmos.

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