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Argélia por Roberto Ganem

 Imprimir | 06/03/2012 A | A
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Na antiguidade a Argélia, conhecida como Numídia, foi a princípio povoada e civilizada pelos Fenícios. Excepcionais navegadores e comerciantes, começaram a explorar a costa do Mediterrâneo no século XII antes de Cristo. Fundaram aí uma série de portos e colônias, bem situados, servindo-lhes de escala e abrigo como: Skikda, Bejaia, Tgzirt, Argel, Cherchell, Tenés.

Esse povo do mar apenas se limitava a dominar as costas destas regiões, não se importavam com o interior do país. Ainda assim exerceram acentuada influência sobre as tribos númidas no que se refere a sua religião e sua língua.

No século III antes de Cristo, com a queda definitiva de Cartago, os romanos instalaram aí sua África Romana. A Argélia permaneceu livre por um tempo lutando contra os romanos mas, no século I da nossa era, foi anexada ao grande império do ocidente.

Os romanos exploravam sobremaneira o povo argelino, mas não deixaram também de conceder-lhe um estágio superior de civilização.

No século IV, com a queda de Roma, o povo se viu finalmente livre, mas caiu num estado lamentável de barbarismo, apenas ressurgindo com a presença dos muçulmanos, próximo a 640.

A principal característica de toda a África do norte está no fato dela pertencer ao mundo árabe-mulçumano.

"Fantasia" - Esporte muito apreciado no interior da Argélia. Do acervo de Nair D.Maluf
"Fantasia" - Esporte muito apreciado no interior da Argélia. Do acervo de Nair D.Maluf

Os árabes lhe trouxeram não apenas uma civilização, mas também uma marcante religião: o Islã. Religião que pregava a igualdade e proibia a escravidão e a injustiça.

O ensino foi então bastante popularizado. Criaram-se universidades de renome mundial em Fez, Tlecen, Bougie, Constantine (Argélia) e Túnis.

A filosofia árabe atingiu aí um estágio excepcional, mas foi nas matemáticas que atingiram o mais alto nível: a álgebra, os algarismos e a utilização do zero.

A agricultura, com seus novos métodos de irrigação, fez aí significativos progressos e as artes e os ofícios floresceram também muito, mormente no ramo textil.

Na modernidade, no ano de 1830, algo aconteceu que iria transformar profundamente o destino da Argélia.

Com o vil pretexto de que o embaixador frances havia sido insultado pelo “Dei Hussein”, a França invadiu o país amigo. Mas já se tratava de um antigo plano de ocupação desde os tempos napoleônicos.

A Argélia resistiu por três anos, mas “Dei Hussein” acabou por se render. Houve porém ações heróicas de resistência como a de “Abd-el-kader” que durou nada menos que 17 anos.

Contudo a França levou 50 anos para completar a ocupação do país e pode-se dizer que nunca conseguiu governá-lo completamente porque o povo jamais legitimou o domínio do opressor e nunca deixou de lutar para libertar-se.

Sucedeu que em 1954 a Frente de Libertação Nacional (FLN) composta por um grupo de jovens revolucionários deu início a uma revolta contagiante. Esta cresceu a ponto de se instalarem guerrilhas por todo o país, contando com o apoio total da população.

Na França os governos caiam um após outro, devido a má repercussão da guerra argelina.

Finalmente em 1958 foi levado ao poder Charles de Gaulle, que dedicou-se com afinco no sentido de preparar a independência bem como a autodeterminação do povo argelino.

Os colonos franceses tentaram uma insurreição mas o exército permaneceu fiel a De Gaulle.

Decorrente das inúmeras conversações entre franceses e argelinos iniciadas em 1960, estabeleceram-se contatos próximos entre o governo Frances e o governo provisório da República Argelina.

Finalmente em 18 de Março de 1962 assinou-se um acordo de cessar fogo e o povo argelino (através de um plebiscito) obteve a independência absoluta do país.

Assim, a Argélia se destaca entre os países árabes independentes atuais, conquistando sua soberania por meio de uma verdadeira guerra, mostrando aí toda a determinação e bravura de seu povo.

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Roberto Ganem
Escritor e artista formado em arquitetura na USP e artes plásticas na Associação Paulista de Belas Artes.


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