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Ibn Ruchd (Averróes) - O filósofo árabe herói da renascença européia

 Imprimir Arabesq | 07/03/2009 A | A
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Consciência Jeans

Um dos maiores expoentes da filosofia árabe, Abu al-Walid Muhammad ibn Ahmad ibn Muhammad ibn Ruchd, conhecido pelo nome de Averróes, ou Averróis, aprendeu jurisprudência e teologia com o pai e estudou quase todas as ciências e a filosofia do seu tempo, tendo escrito obras sobre medicina, física, astronomia, jurisprudência muçulmana, filosofia e teologia.

Pouco se sabe sobre a sua vida antes de 1169, mas a partir desse período Averróes foi agraciado pelos príncipes de uma dinastia muçulmana (almóada) existente no norte da África e na Espanha.

Em 1169 foi nomeado juiz em Sevilha, em 1171 em Córdoba, mais tarde passou a conduzir um dos ritos muçulmanos observados na região e ainda foi diretor de física em 1182.

Foi considerado um grande crítico filosófico devido à sua interpretação do livro “O legado de Aristóteles” do príncipe “Abo yaacoub youssef”, do qual era próximo e respeitado.

Ibn Ruchd foi dos mais importantes filósofos muçulmanos. Seguia a linha filosófica que considerava mais correta, como a dos notáveis filósofos “Eben Sina” e “Al-Farabi”, no entendimento de Platão e Aristóteles.

Travou severos debates com importantes clérigos entre eles um importante Imã chamado “Abu Hamad AL-Ghazali”, amigo de importantes autoridades, que considerava proibidas as ciências que não as da Sharia (ciência islâmica), especialmente as ciências relacionadas aos quem chamava de “infiéis”, entre eles Aristóteles.

Em seu livro intitulado, “Tahafat al Falasafeh” (A insignificância dos Filósofos) Al-Ghazali atacou as posições científicas e filosóficas de Ibn Ruchd que por sua vez o reponde em seu livro “Tahaft al Tahafat” (Insignificância das Insignificâncias), discorrendo sobre o status filosófico e lamentando as idéias de Al-Ghazali, considerando-as um desrespeito à filosofia e à ciência.

O pensamento de Ibn Ruchd centralizou-se na conciliação entre a filosofia e a religião, e procurou explicar que a Sharia islâmica tem suas bases na razão e no direito para com os muçulmanos, ou seja, a Sharia não vem abolir a razão e dela não se diferencia, mas acrescenta e afirma. Com isso Ibn Ruchd não faz discrepância entre a lei islamica (sharia) e a razão, qualquer suposta discrepância pode ser resolvida através da correta interpretação da lei em concordância com a razão. O foco filosófico de Ibn Ruchd consiste em afirmar que o mundo criado não é estático, mas se renova; Em incentivar as mulheres a assumirem seu papel no mundo como os homens; E garantir que o bem de todos se dá no equilíbrio ético das atitudes virtuosas. A religião, portanto, não pode se resumir a uma mera doutrina prática, mas se legitima na teoria de seus ensinamentos.

Estas posições filosóficas causaram indisposição entre Ibn Ruchd e demais clérigos liderados por “Al Ghazali” que o acusavam de não ser devidamente fiel e se colocar fora do julgamento religioso. Tal acusação fez com que o Califa “Abo Yaacoub Youssef” ordena-se que fosse expulso da cidade e que seus trabalhos filosóficos ou que estivessem relacionados à filosofia fossem queimados, salvo os que tratavam da medicina, astronomia e matemática.

Foi o triunfo dos clérigos e dos que os apoiavam em detrimento da razão, filosofia e ciências.

No entanto os ensinamentos de Averróes foram conservados na Europa e adotados como pilares intelectuais no período da renascença, conduzindo à prosperidade intelectual das sociedades européias contemporâneas.

Aristóteles arabizado
Os comentários de Averróes sobre Aristóteles - em Sharh ("Grande comentário") e Telkhis ("Resumo") -, traduzidos para o latim na primeira metade do século 13, tornaram conhecido o pensamento desse filósofo grego, o que influiu no pensamento de Tomás de Aquino, produzindo verdadeira revolução na filosofia cristã, até então baseada no platonismo.

A irrupção do Aristóteles arabizado nas universidades européias impunha um trabalho de exegese e de assimilação, pois não era possível nem aceitá-lo tal qual nem ignorar sua presença. A essa tarefa se consagraram Alberto Magno e, principalmente, Tomás de Aquino, que leu e comentou as obras de Aristóteles em traduções latinas feitas diretamente do grego. Contestando ao averroísmo, Tomás de Aquino opera a conciliação, a síntese definitiva do pensamento aristotélico e da revelação cristã.

A teologia de Averróes influiu em autores místicos do século seguinte, como Amalrico de Bena, que ensinava que tudo é Deus e que Deus está encarnado tanto em Cristo quanto no crente, não podendo este pecar.

A influência filosófica de Averróes foi muito mais forte; é sensível em vários movimentos heterodoxos, até Pomponazzi, no fim do século XV.

Ibn Ruchd faleceu no ano de 1198, após ter lançando 108 publicações de filosofia, ciência, medicina, jurisprudência e literatura, muitas das quais foram queimadas.

Seus livros mais importantes:

- “Tahaft al tahaft”
- “Al Kliat”
-  “Fassel almaqal ma bein al hikma w al shariah mn etsal”
- “Monahej aldleh”

O que já foi dito sobre Ibn Ruchd:

“Ibn Ruchd, o mais afamado pensador islâmico, devido a excelência e impacto de seu pensamento entre os demais, foi quem mais influenciou o Pensamento Europeu”
John Robertson, pensador Inglês no livro “Sumário do Pensamento Livre”.

“O pensador andaluz Ibn Ruchd, viveu a frente do seu te

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COMENTÁRIOS
 
Emmanoel S.Rangel 09/03/2009 17:58:35
Texto maravilhoso, muitos não conhecem os grandiosos trabalhos de nossos filósofos. Gostaria , com todo respeito , de sugerir textos sobre Avicena e demais luminares do saber.

Claúdio Monteiro 12/03/2009 20:02:25
Interessantíssimo os pontos em comum entre este pensador islâmico e Spinozza (judeu flamengo).

Sergio Gomes 17/03/2009 02:46:38
Vocês estão sabendo da "Sessão Averroes" que acontece, mensalmente, na Cinemateca Brasileira , em São Paulo ? Vejam notícia sobre isso em www.obore.com Abraços e parabéns Sergio Gomes

Darcy 07/09/2009 08:53:54
certamente Spinozza leu e muito Averróis, pois viveu um século após.Em uma época em que as três culturas se juntaram, árabes, cristãos e judeus, e se produziu tudo de bom que temos hoje.Palco: Espanha. No museu em Córdoba há muitos registros sobre essa troca e essa paz. Poucos sabem disso.

Ronaldo David 30/12/2011 00:32:30
Dizer que Spinoza, assim é escrito, viveu um século após Averróes é um disparate, pois o sábio judeu viveu mais de 500 anos após o pensador andaluz. Que é que está havendo com estes pensadores de plantão? A única coisa boa do texto é que havia realmente troca de ideias entre todos os monoteístas....

elaine 27/06/2012 19:55:45
Muito interessante o texto.Sempre é bom saber mais sobre as culturas estrangeiras, traz mais sabedoria ao nosso conhecimento e não ficar so nos filosofos do ocidentes e saber que existem muitos outros filosofos que fizeram historia. ______________///_____________ Comecei a fazer graduação de historia e estou muito feliz de poder adquirir tantas informações boas e aprender mais.

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Detalhe da pintura de Andrea de Bonaiuto O Triunfo de Santo Tomás, com a imagem sentada em repouso e pensativa de Averróis. Detalhe da pintura de Andrea de Bonaiuto O Triunfo de Santo Tomás, com a imagem sentada em repouso e pensativa de Averróis.
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