Drumond chamou de eterno “tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata”.
Que dizer de 80 anos vividos com a intensidade que Samoel viveu?
Certamente a trajetória que este homem percorreu seguiu por uma estrada que não conhecemos, parece claro que houve mais vida vivida, que seu calendário foi outro e que o tempo não foi aquele que medimos do nosso jeito.
Que mistério é este que reúne em um homem tantos personagens, que faz dele o cura das chagas e das dores, o mesmo que traz o lume da aurora do conhecimento, a riqueza da mente, o saber incontido e se transfigura no amigo que consola, critica, elogia, explica, aconselha e protege.
Que mistério é esse da dualidade de opostos que se encontram numa figura ímpar que sabia literalmente tudo e não sabia se omitir, que tinha todas as respostas e não sabia fingir, que conhecia detalhes e o todo e não sabia magoar.
Que mistério é este que não fez bastar a herança genética de pais iluminados, berço de cultura e pioneirismo e, sabedor das coisas do coração, uniu esposa e filhos na formação de sua própria família, perpetuando o afeto que aprendeu.
Não estamos nos despedindo de Samoel e jamais poderemos fazê-lo.
Estamos nos aproximando ainda mais, lembrando suas palavras, sua figura, estamos reverenciando um irmão cuja presença física já não temos, mas que se instalou definitivamente em nosso coração, em nossa casa e em nossa história.
Feliz daquele que conviveu com Samoel ainda que por alguns momentos:
Se aluno, aprendeu acima do esperado.
Se paciente, encontrou a solução e a cura.
Se parente, recebeu orientação e afeto.
Se amigo, sentiu lealdade e dedicação.
Se parceiro de negócios: A retidão e a honradez.
Samoel venceu todos os desafios, jamais sucumbiu ou esmoreceu.
Estamos falando de um homem que viveu 80 anos, conheceu milênios e ensinou séculos, de um homem que repartiu a cultura como foi repartido o pão, para todos que ali estivessem..
Estamos falando de alguém “escolhido” de um “iniciado”, daquele que não concluiu o livro “História das Histórias” não porque não soubesse, mas porque o tempo se esgotou antes do combinado.
De Guimarães Rosa não me bastam agora os textos, quero a certeza de que “as pessoas não morrem, ficam encantadas”.
Se é certo que viram estrelas, cresce a constelação formada por Daher Cutait, Chucri e Jorge Zaidan, Américo Nasser, Reynaldo Anauate, tantos outros e, agora, Samoel Atlas.
O brilho intenso que vem do céu, Samoel forjou aqui, entre nós, não lhe bastou ser médico, ensinou a ser médico, levou seu saber aos cantos do mundo, na língua de cada um, surpreendeu sempre, visitou o passado a procura da origem dos nossos nomes, contou às famílias do Homs detalhes de suas próprias e ricas histórias, escreveu, leu, estudou, jamais sonegou o conhecimento, mascate da cultura de porta em porta, arauto da palavra definitiva.
Agora, Samoel, o “eterno” de Drumond faz todo o sentido!!