Em um texto denso de lugares, pessoas e (his)estórias, o autor SAMIR YAZBEK narra a estória de imigrantes árabes do Líbano no Brasil.
O texto versa sobre o dilema enfrentado pelos imigrantes, principalmente do Oriente: não conseguir separar-se do passado e ao mesmo tempo, a incapacidade de abraçar o presente.
As perguntas levantadas são dolorosas: quem somos, o que pretendemos e se a fuga do passado e do presente representa uma alternativa real em uma existência fragmentada.
O intelectual palestino Edward Said descreve os imigrantes em geral e os exilados, em especial, como os “fora-do-lugar”. O lugar, como espaço físico e espiritual. A experiência vivida por eles é descrita por Said como “ruptura incurável entre o Eu mais íntimo e um lugar primário, muitas vezes, imaginário”.
Não há respostas no texto, apenas perguntas e questionamentos.
O texto mexe com a ferida, a deixa aberta e não prescreve analgésicos.
Há insinuação, apenas insinuação de que a solução encontra-se dentro de nós, na reconciliação com nossa consciência, que tantas vezes tentamos ignorar ou oprimir.
A musicalidade da peça, que canta a perda, a saudade e as terras distantes, deixou minha alma nua, inquieta, trêmula e triste. Quantas transamazônicas restam mais para descobrir o sentido da minha vida, com sua complexidade passada e atual em um lugar que quero amar e longe do lugar que não quero esquecer?
O dilema é enfrentado também pelos nativos da terra, não apenas pelos imigrantes, a questão básica da existência humana nesse mundo atual. Um mundo sem alma ou mais precisamente um mundo de alma metálica.
Para entrar no paraíso prometido desse mundo, você precisa renunciar a seu passado, sua tradição, as poucas certezas da sua vida, os arrimos que sustentam sua alma em troca de uma ilusão. E para acabar sua vida só.
A peça e o texto são muito agradáveis, mas amargos. Tão amargos como um café feito ‘a maneira árabe: tem um gosto inesquecível, tocante, chocante, mas refrescante.
Obrigado a todos os responsáveis, dos quais nomeio alguns: Samir, Hélio, Daniela, Gabriela, Marina, Mariza, Douglas etc pela felicidade triste, pelos calafrios que me causaram na alma!
Abdel Latif Hasan Abdel Latif, palestino.
O texto versa sobre o dilema enfrentado pelos imigrantes, principalmente do Oriente: não conseguir separar-se do passado e ao mesmo tempo, a incapacidade de abraçar o presente.
As perguntas levantadas são dolorosas: quem somos, o que pretendemos e se a fuga do passado e do presente representa uma alternativa real em uma existência fragmentada.
O intelectual palestino Edward Said descreve os imigrantes em geral e os exilados, em especial, como os “fora-do-lugar”. O lugar, como espaço físico e espiritual. A experiência vivida por eles é descrita por Said como “ruptura incurável entre o Eu mais íntimo e um lugar primário, muitas vezes, imaginário”.
Não há respostas no texto, apenas perguntas e questionamentos.
O texto mexe com a ferida, a deixa aberta e não prescreve analgésicos.
Há insinuação, apenas insinuação de que a solução encontra-se dentro de nós, na reconciliação com nossa consciência, que tantas vezes tentamos ignorar ou oprimir.
A musicalidade da peça, que canta a perda, a saudade e as terras distantes, deixou minha alma nua, inquieta, trêmula e triste. Quantas transamazônicas restam mais para descobrir o sentido da minha vida, com sua complexidade passada e atual em um lugar que quero amar e longe do lugar que não quero esquecer?
O dilema é enfrentado também pelos nativos da terra, não apenas pelos imigrantes, a questão básica da existência humana nesse mundo atual. Um mundo sem alma ou mais precisamente um mundo de alma metálica.
Para entrar no paraíso prometido desse mundo, você precisa renunciar a seu passado, sua tradição, as poucas certezas da sua vida, os arrimos que sustentam sua alma em troca de uma ilusão. E para acabar sua vida só.
A peça e o texto são muito agradáveis, mas amargos. Tão amargos como um café feito ‘a maneira árabe: tem um gosto inesquecível, tocante, chocante, mas refrescante.
Obrigado a todos os responsáveis, dos quais nomeio alguns: Samir, Hélio, Daniela, Gabriela, Marina, Mariza, Douglas etc pela felicidade triste, pelos calafrios que me causaram na alma!
Abdel Latif Hasan Abdel Latif, palestino.