O governo do Sudão assinou, nesta terça-feira no Catar, um acordo de paz com o grupo rebelde Movimento da Justiça e da Igualdade de Darfur que prepara o clima para outras negociações que encerrarão o conflito entre as duas partes.
O porta-voz dos rebeldes, Ahmed Hussein, disse que os pontos principais de discussão são a divisão de recursos naturais e a segurança dos refugiados.
O presidente do Sudão, Omar el Bashir, afirmou que o acordo é o começo do fim da guerra em Darfur, o que espera acontecer antes das eleições presidenciais no Sudão em Abril.
Bashir anunciou também o perdão das penas de morte para dezenas de rebeldes do grupo que estavam presos e a libertação de 30% dos rebeldes prisioneiros como um gesto de boa vontade.
Ambas as partes concordaram com o cessar-fogo e se comprometeram a continuar as negociações para alcançar um acordo definitivo que será assinado em Doha, capital do Catar.
O acordo de paz é um passo importante para a paz na região, trazendo estabilidade que privilegia investimentos e o desenvolvimento do Sudão.
Segundo a ONU, 300 mil pessoas morreram nos conflitos em Darfur, mas o governo sudanês defende que o número não passa de 10 mil.
O conflito na árida e empobrecida região de Darfur começou em 2003, quando grupos rebeldes atacaram alvos do governo, acusando Cartum de oprimir a população africana do país e favorecer a população árabe.
Milícias pró-governo contra-atacaram com força, em atos que foram classificados pelo governo dos Estados Unidos e grupos de defesa dos direitos humanos como genocídio.
O governo de Cartum nega ter dado apoio às milícias e ressalta que se esforça para encerrar o conflito e alcançar a paz na região.