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Jovens libaneses querem proteger a língua árabe do abandono no país
 Imprimir Arabesq | 01/03/2010 A | A
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Da Redação Arabesq

Um grupo de jovens libaneses criou recentemente a campanha “Faça Algo” para defender a língua árabe e expandir o seu uso entre as novas gerações.

A Iniciativa foi lançada por sete jovens trintões, num esforço para preservar o patrimônio cultural árabe diante dos desafios da globalização.

A poetisa, Susan Talhouq, presidente da associação, afirmou que a língua árabe ainda está viva no Líbano, mas os jovens estão se distanciando dela.

“Muitos jovens não sabem escrever corretamente e alguns universitário não conhecem se quer o alfabeto”, alertou Susan.

A campanha teve boa repercussão no país de quatro milhões de habitantes que esteve sob ocupação francesa até o ano de 1943, o que fortaleceu a ocidentalização da cultura local.

A maioria das escolas no Líbano ensina o Francês e o Inglês, ao lado da língua árabe, desde uma idade precoce. Mas as autoridades educacionais permitem aos alunos de dupla nacionalidade não cursar a língua árabe e nem fazer os exames nessa língua.

Para Susan, aprender uma segunda língua é ótimo para os alunos, mas isso não justifica o abandono da língua nativa.

Libanês Popular

Muitos dos jovens libaneses escrevem o dialeto popular, cheio de gírias com influência inglesa e francesa, ao invés do árabe clássico. Com o crescente acesso à internet outro problema que se adiciona a isso é o abandono do alfabeto árabe e a transcrição da língua falada usando alfabeto latino, um fato que afeta todas as sociedades árabes.

É comum nas ruas de Beirute ouvir jovens usando as três línguas para formular uma frase qualquer, como no caso de “Please (inglês) Atini (árabe) Cigarette (frances)”.  Tal comportamento não se limita ao dia a dia da juventude, reclama Susan, mas é usado e incentivado por alguns meios de comunicação locais e até no jornalismo libanês, o que dificulta muito o trabalho de preservação da língua e pode expandir o problema para outras sociedades árabes já que os canais de televisão libaneses são os de maior audiência na região.

O Problema

Desde abril de 2009 até o mesmo mês em 2010, Beirute celebra atividades por ter sido eleita a capital internacional do livro pela UNESCO. A diretora responsável pelos eventos, Laila Barakat, afirmou haver uma carência de textos literários na língua árabe.

Os especialistas se dividem ao tentar encontrar a origem da marginalização da língua árabe. Alguns culpam o sistema educacional que a transformou em uma língua secundária, não necessária para completar os níveis escolares no Líbano. Já outros acreditam que o problema nasce em casa, os pais tendem a conversar freqüentemente em inglês, frances e árabe com as crianças.

Uma professora de ensino fundamental relata que alguns alunos da sexta série não falam a sua língua original e ficam chocados quando descobrem que o clássico é muito diferente da língua popular. Alguns alunos chegam a pedir ao professor que explique as matérias em inglês, frances ou no dialeto popular por não compreender a língua árabe clássica.

Mas muitos acreditam que esse fato é decorrente da decadência da cultura árabe no último século, aliada ao desejo de imigração, à falta de políticas governamentais de proteção e incentivo à cultura local, e a não identificação de alguns grupos sociais no Líbano com a origem e cultura árabes.

Com al-Jazeera

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COMENTÁRIOS
 
Denise Bomfim 3/1/2010 4:41:20 PM
Louvável seja a iniciativa de jovens que preservam as suas raízes linguísticas. A língua árabe clássica é lindíssima, merecedora de cultivo e incentivo à aprendizagem nas escolas do Líbano.

Christopher Gui Saad Sodré 3/3/2010 5:46:09 PM
A um ano sou estudante de árabe clássico e a cada aprendizado mais me fascino pelo idioma,por sua riqueza gramatical,beleza estética e minimalista. O árabe clássico além de ser um idioma é uma verdadeira obra de arte,os textos escritos são cheios de harmonia e primor,quando falado sua sonoridade é bela e encantadora. É preciso dispertar esses jovens para maravilha desse idioma milenar.

selma ismael mohamed 3/4/2010 7:06:28 PM
Nunca o idioma árabe ficara somente no passado. Ele é passado, presente e futuro para sempre. São honrosas sua escrita e sua pronuncia. Parabéns a todos os adeptos de promover as novas gerações. O apoio é global.

Luciana Cury Calia 3/6/2010 2:54:27 PM
Muito oportuna e interessante esta matéria. Depois da irreversível globalização do "profeta" McLuhan, muitas culturas estão em risco de desagregação e antropofagia descrita por Darci Ribeiro, que naquele momento teve preocupação com os indios. O conceito vale hoje para todos nós. No mundo inteiro existem escolas islâmicas para crianças. Os chineses já estão implantando as suas no Brasil. Todos nós descendentes de imigrantes, temos RESPONSABILIDADE pela manutenção e preservação da nossa herança cultural. No caso da matéria supra, ninguém fará isso melhor que os ÁRABES. Eu tenho me esforçado para fazer a minha parte. Penso nisso! Pense você também!!!

Ademir 3/15/2010 1:46:53 PM
Mui maravilhoso é saber que existem ainda em nossos tempos pessoas que se importam com suas raízes. Tenho iniciado o curso de língua árabe moderno, acho que é uma das línguas mais lindas do mundo! Estou simplesmente encantado, mas se alguém não a preservar concerteza ela se desfará e quem mais irá se encantar?

luis 3/21/2010 5:16:02 PM
ja esive no Libano, Siria, Jordania, sou facinado pela cultura ARABE e sua lingua morro de desejo em apreder mais em minha cidade não é possivel por nao haver quem ensina, mais em minha opinião devemos sim todos, nao somente os grupos organizados no projeto de defender esta lingua falada a seculos por nossos pais no passado. maa salam.

Luciana Cury Calia 3/24/2010 2:50:39 PM
Luis, também somos fascinados pela CULTURA ÁRABE. No interior de São Paulo - Ourinhos e proximidades, não há nenhuma associação ou instituto ÁRABE. Nós da família CURY, descendentes de libaneses e colonizadores da cidade de Salto Grande -SP, também queremos e apreciaremos um grupo para este fim. Contato: lucalia@uol.com Facebook: pelo meu nome Assinado : família CURY

Luis 3/25/2010 11:12:48 PM
Luiciana, isso é muito importante, relamente vamos dar continuidades e apoio a estes grupos e enfim pedir apoio para que o estudo desta lingua chegue tambem ate nós sou de presidente prudente segue meu email para contato, luis.habibi@hotmail.com, meus agradecimentos a equipe arabesq pela oportunidade e espaço.

Luciana Cury Calia 3/26/2010 10:11:55 AM
Luis e demais: vamos começar a articular isso aqui no interior de São Paulo. Tenho certeza que teremos muitos apoiadores. Agradeço, também, à postura profissional e centrada do ARABESQ.A cultura ÁRABE é um vasto mundo, que precisa ser compreendido à LUZ de um povo oprimido, desde sempre!

sandra 7/19/2010 4:59:34 PM
Gostaria de ensinar minha filha, de 1 ano e 7 messes, a aprender a lingua arabe, pois é neta de libaneses e gostaria de fazer essa surpresa para o avô Obrigado

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